Por chorar e "atrapalhar" o padrasto a assistir uma partida de futebol, uma menina de apenas 10 meses acabou sendo agredida e fraturou o tornozelo e o fêmur na cidade de Joaíma, no Vale do Jequitinhonha. O caso, que foi denunciado somente nessa segunda-feira (22), teria acontecido há aproximadamente 15 dias. Por isso, o homem de 29 anos acabou ouvido e liberado, mas um inquérito foi aberto pela Polícia Civil (PC) para investigar o crime. A mãe da menina, de 30 anos, também é investigada. 

Segundo o delegado Thiago Megale Giovani, o casal foi conduzido para a delegacia de Jequitinhonha sob suspeita de maus tratos. "Nós iniciamos a lavratura do auto de prisão, mas no decorrer do procedimento soubemos que as agressões aconteceram há duas semanas, não sendo possível autuar em flagrante o padrasto. Mas agora estamos investigando isso de forma prioritária", garante. 

Apesar disso, o policial concluiu que a criança não deveria voltar ao convívio dos suspeitos e acionou o Conselho Tutelar, que acompanha o caso. "Estamos investigando também se a genitora viu algo ou se tomou conhecimento depois e não fez nada. Mas, o padrasto confessou que estava assistindo o jogo e o choro estava atrapalhando, então ele se irritou e jogou a menina no chão, empurrando ela da cama. A mãe alega que não viu o fato", lembra o delegado. 

Após a agressão, a criança chegou a ser levada para o Hospital de Joaíma, sendo que a mãe e o companheiro alegaram apenas que ela havia caído da cama. Foram os funcionários da unidade de saúde que desconfiaram e chamaram a polícia. Ainda de acordo com o Giovani, após o início das investigações, a criança foi encaminhada para um hospital da cidade vizinha Itaobim, onde passa por tratamento médico. 

A PC aguarda agora o laudo de corpo delito sobre a gravidade dos ferimentos, pois somente assim será possível qualificar o crime cometido pelo suspeito, que pode responder por lesão corporal grave, gravíssima ou tentativa de homicídio.

Tia pode ficar com a criança

Diante da situação, a PC notificou o Conselho Tutelar, o Ministério Público de Minas Gerais (MPMG) e o Tribunal de Justiça de Minas Gerais (TJMG). "Os conselheiros disseram que entrariam em contato com o pai biológico, que poderia cuidar da vítima, mas ele ainda não foi localizado. Mas parece que já tem uma tia dela que se disponibilizou a ficar com ela, mas por enquanto ela está sob os cuidados do Conselho", completa o delegado Giovani. 

O padrasto já foi investigado por um furto e a mãe da menina não tem passagens pela polícia. Funcionários do hospital relataram aos policiais que essa não é a primeira vez que a vítima é levada para lá sob o mesmo argumento de queda da cama. Da outra vez, em data não precisada, a criança teria chegado com uma fratura no braço.

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