Uma pesquisa da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG) publicada recentemente revela que a pandemia por Covid-19 impactou no número de hospitalizações de pacientes com doenças cardiovasculares. O estudo foi realizado em hospitais públicos de Belo Horizonte e conclui que 16,3% das internações firacam abaixo do esperado. O artigo foi produzido por pesquisadores do Observatório de Doenças e Agravos Não Transmissíveis da Escola de Enfermagem da UFMG.

Os dados do estudo mostram que houve 6.517 hospitalizações por doenças cardiovasculares de março a dezembro de 2020. O número de pacientes atendidos em Unidades de Tratamento Intensivo (UTI) em decorrência de problemas cardíacos reduziu 24% em relação ao mesmo período dos anos anteriores. Além disso, o número de mortes caiu 17%, além de diminuírem as internações e o tempo de UTI relacionados às cardiopatias.

Segundo os pesquisadores, a redução desses indicadores pode ser explicada pelo fato de que muitas pessoas deixaram de procurar os hospitais com medo de se infectarem pelo novo coronavírus.

A coordenadora do estudo e professora da Escola de Enfermagem da UFMG, Deborah Carvalho Malta, alerta que é fundamental que campanhas públicas informem como as pessoas com doenças cardiovasculares devem proceder. “A atenção imediata e urgente é essencial para diminuir os efeitos indiretos da pandemia sobre essas doenças. É necessário o esclarecimento sobre novos fluxos de saúde e a retomada de medidas de promoção da saúde e de controle dos fatores de risco cardiovascular”, diz a professora.

Principal causa de morte no mundo

Dados da Organização Mundial de Saúde (OMS) mostram que as doenças cardiovasculares são as principais causas de morte em todo o mundo, respondendo por 17,9 milhões de vidas perdidas a cada ano. O Sistema Único de Saúde (SUS) também considera as cardiopatias como responsáveis pelas altas taxas de hospitalização e custos elevados da saúde pública.

Segundo o Sistema de Informações Hospitalares (SIH-Datasus), a insuficiência cardíaca, o acidente vascular encefálico e as síndromes coronárias agudas são os problemas cardiovasculares que resultaram no maior número de internações no Brasil nos últimos 10 anos.


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