O governador Romeu Zema (Novo) acredita que já é possível planejar a volta às aulas presenciais em Minas, o que deve acontecer ainda neste ano. A afirmação foi feita nesta terça-feira (22). “Nós já temos condições, porque o número de casos e óbitos tem caído de forma consistente e temos um ‘colchão’ de segurança na rede hospitalar”, disse o governador, em entrevista à rádio CBN.

Segundo Zema, informações sobre o retorno devem ser divulgadas nesta semana pela secretária de Educação, Julia Sant'Anna. O aprendizado presencial nas instituições estaduais foi interrompido em 18 de março, quando teve início a quarentena para enfrentar a pandemia. Desde então, Minas já registrou 273 mil casos e 6.764 mortes por Covid-19.

“Esse assunto tem causado polêmica. Mesmo dentro da educação e da saúde, há opiniões muito divergentes, mas, neste momento, nossa Secretaria de Saúde e de Educação estão trabalhando em conjunto na construção de protocolos para que nós venhamos a ter um retorno seguro das aulas. A data ainda será informada”, afirmou.

Zema ainda disse que caberá aos prefeitos a definição sobre a retomada das aulas, conforme a realidade de cada município. Nas cidades que estiverem na onda vermelha do programa Minas Consciente, o retorno não será possível.

Ele disse ainda que sabe que haverá uma “turma do contra”, mas que todas as decisões serão técnicas e pautadas nas orientações das autoridades de saúde. Além das secretarias de Saúde e Educação, o Ministério Público e o Tribunal de Justiça de Minas Gerais participam do debate, segundo o governador.

“Não podemos mais continuar prejudicando os alunos e os pais, que têm tido trabalho grande, muitas vezes impedidos de trabalhar, e essa falta de aula causa problema mental nas crianças também, trancadas dentro de casa, sem convivência social. Estaremos fazendo um esforço para que isso ocorra, mas vale deixar bem claro: com segurança”, disse o governador, garantindo que é possível planejar um retorno ainda em 2020.

Para Zema, Minas possui hoje uma estrutura de saúde que pode atender aos mineiros, mesmo que o número de casos de Covid volte a subir. Atualmente, a rede pública no Estado conta com 3.700 leitos de UTI. “Mesmo que tenha uma segunda onda, é muito improvável que alguém fique sem atendimento”.

Protocolos

Na semana passada, o Diário Oficial de Minas Gerais publicou uma série de recomendações do Conselho Estadual de Educação para o retorno às aulas. No extenso texto, há orientações sobre como deve ser a higienização e as ações que podem garantir o distanciamento social – como recreio escalonado.

Para a coordenadora-geral do Sindicato Único dos Trabalhadores em Educação de Minas Gerais (Sind-UTE/MG), Denise Romano, as recomendações do CEE são inviáveis no universo da educação pública. Segundo ela, existem 3.600 escolas estaduais no Estado e algumas sequer têm bebedouros adequados para oferecer água de maneira segura aos estudantes. Salas pequenas e pouco ventiladas e falta de sabão nos banheiros são outros problemas recorrentes. 

Denise afirma ainda que é preciso fazer uma análise de risco entre os profissionais da educação de todo o Estado, antes de definir como será o retorno. “O Governo ainda não fez um levantamento para saber quantos professores e funcionários têm comorbidade”, afirmou.

Por nota, a Secretaria de Estado de Educação (SEE/MG) confirmou que o Governo de Minas avalia os meios mais seguros para a retomada das atividades presenciais. Amplas discussões e estudos têm sido feitos pela pasta. “As aulas serão retomadas no momento mais seguro para alunos e profissionais envolvidos”.

A SEE também relembrou a recente publicação do CEE, que traz orientações gerais para todo o sistema. “Os protocolos oficiais da rede pública estadual serão divulgados pelo Governo do Estado”.

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