Reportada pela primeira vez na última quarta-feira (24), na África do Sul, a variante B.1.1.529 do coronavírus foi classificada como motivo de preocupação pela Organização Mundial da Saúde (OMS) nesta sexta-feira (26). Ainda não foram diagnosticados casos da cepa no Brasil, mas o tema já desperta a atenção das autoridades no momento em que se vive a apreensão por uma quarta onda da pandemia.

Batizada de “Ômicron”, a nova variante apresenta um grande número de mutações, algumas delas consideradas preocupantes por um grupo de especialistas independentes ligados à OMS e que estudam a evolução do vírus.

As medidas de combate específicas para a Ômicron ainda não estão claras e a OMS sugere que os países invistam em tecnologias de detecção e compreensão da circulação da variante na população. A organização orienta a comunidade científica a divulgar as descobertas para uma mobilização internacional do combate ao avanço de mutações do coronavírus.

Um dos motivos que causa preocupação nos cientistas é o fato de a nova variante apresentar mais de 30 mutações na proteína Spike, usada pelo vírus para infectar as células. No entanto, ainda não há informações conclusivas sobre uma possível resistência da Ômicron aos imunizantes.

Em Belo Horizonte, a cepa será monitorada pela Prefeitura (PBH) em parceria com a UFMG e a Fundação Ezequiel Dias (Funed). A medida faz parte do trabalho contínuo desenvolvido com o objetivo de detectar precocemente novas variantes.

De acordo com a PBH, pessoas que chegam a BH em voos internacionais são contatadas pela Secretaria Municipal de Saúde, que as orienta sobre sintomas e medidas a serem tomadas no caso de suspeita de Covid-19.

 No estado 

Até o momento, não há registro de casos da Omicron no Brasil ou em Minas Gerais, mas autoridades já emitem alertas para os cuidados com a variação do vírus.

A Secretaria de Estado de Saúde de Minas Gerais (SES-MG) informou, nesta tarde, que recebeu uma comunicação do Centro de Informações Estratégicas de Vigilância em Saúde do Ministério da Saúde sobre a linhagem B.1.1.529.

“Algumas mutações identificadas na B.1.1.529 são compartilhadas com outras variantes de preocupação , como as mutações N501Y e E484A”, alerta a SES-MG.

Ainda não há estudos sobre o impacto da nova mutação em indicadores como a taxa de transmissibilidade e letalidade, bem como a eficácia das vacinas de Covid-19 contra a nova cepa.

Leia também:
Ministério da Saúde recomenda dose de reforço da vacina da Janssen; entenda
Cidades mineiras já desobrigam uso de máscara diante do avanço da vacinação; especialista discorda