A menos de dez dias para o pico da Covid-19 em Minas, conforme previsto pelas autoridades, o Estado registra uma média de 43 mortes em decorrência da doença a cada 24 horas. Os números referem-se à última semana: em 28 de junho, havia 899 óbitos. Ontem, já eram 1.201 – 302 a mais, um aumento de 33%.

Os casos confirmados também não param de crescer. No mesmo período, segundo balanço epidemiológico divulgado pela Secretaria de Estado de Saúde (SES), foram diagnosticados 15.542 novos doentes – média de 2.220 por dia –, elevando para 58.283 o total de infectados.

O cenário reflete o avanço do coronavírus no território mineiro, o que tem levado o poder público a adotar medidas de contenção mais enérgicas. Belo Horizonte, por exemplo, recuou na flexibilização da quarentena desde 29 de junho. Já o Estado finaliza um protocolo de lockdown para as cidades que quiserem adotar o fechamento total do município.

Temor de colapso

No caso da capital, a preocupação se volta para o possível colapso no sistema de saúde já nos próximos dias, destaca o secretário-geral do Conselho Municipal de Saúde (CMSBH), Bruno Pedralva. Na última semana, a taxa de ocupação das UTIs da rede pública, essenciais aos doentes mais graves, permaneceu na faixa de 87%.

De acordo com o boletim de monitoramento da Covid-19 em Belo Horizonte, na última semana o ritmo de difusão da contaminação (medido pelo Rt) aumentou de 1,09 para 1,13 (amarelo), indicando crescimento significativo no número de casos da doença na cidade.

Atualmente, o Sistema Único de Saúde (SUS) de BH conta com 331 leitos ativos, com condições de ampliar para 335. Ao atingir a capacidade, a prefeitura espera conseguir suprir a demanda com a contratação de leitos em hospitais privados – mas muitos já estão operando perto da lotação máxima. 

Quarentena

“O fortalecimento das medidas de isolamento social é necessário. É um remédio amargo, mas está mais do que evidente que a flexibilização aumentou a circulação de pessoas e levou a essa situação”, destaca Bruno Pedralva, que também é médico da rede pública.

Procurada para comentar a taxa de ocupação de leitos ontem, a Secretaria Municipal de Saúde (SMSA) informou que os dados são divulgados de segunda a sexta-feira, no “Boletim Epidemiológico e Assistencial”.

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