Após o acidente com a barragem da Vale, em Brumadinho, na Região Metropolitana de Belo Horizonte, 65,7% dos brasileiros disseram que são a favor da empresa perder a licença ambiental e 66,2% aprovam a suspensão de todas as licenças existentes no país e abertura de nova licitação. É o que aponta a pesquisa "Percepção sobre o desastre ocorrido na cidade de Brumadinho", do Grupo Paraná Pesquisas, que ouviu 2.420 pessoas, em 188 municípios de 26 estados e do Distrito Federal, entre os dias 30 de janeiro e 3 de fevereiro.

Ainda de acordo com levantamento, 28% dos entrevistados disseram que são contra a medida da Vale perder a licença ambiental e 6,4% não responderam ou não souberam opinar.

Com relação a qual ação na Justiça os dirigentes e executivos da Vale deveriam ser submetidos, 52,6% afirmaram que todos deveriam ser presos; 24,2% disseram que a Justiça deveria afastar os executivos e determinar multa pesada, sem o congelamento de bens ou prisão dos executivos. Já 13,3% são a favor dos bens congelados, mas sem a prisão; 2,7% não consideram eles culpados; e 7,2% não responderam.

Sobre quem é o maior responsável pela tragédia, 63,4% dos entrevistados apontaram a Companhia Vale; 21,3% acreditam ser o Governo de Minas Gerais; 10,4% indicaram o Governo Federal; 1,4%  não apontou ninguém; e 3,6% não opinaram. 

Perguntados sobre o Governo Federal assumir a responsabilidade pela mineração do país, por meio de uma empresa estatal, 58,9% se posicionaram contra; 35,1% são a favor; e 6% não responderam.

Segundo o instituto de pesquisa, os entrevistados, maiores de 16 anos, tiveram que responder a cinco perguntas on-line. O grau de confiança é de 95% e a margem de erro é de aproximadamente 2% para os resultados. 

Por meio de publicações em sua página na internet, a Vale informa que vem cadastrando as vítimas da tragédia para que recebam as doações necessárias para retomarem a vida, tem fornecido auxílio funeral para as famílias dos mortos, assim como tem contribuído para esclarecer as causas do acidente que matou, até esta segunda-feira (4), 134 pessoas. Outras 199 estão desaparecidas. 

A barragem se rompeu no dia 25 de janeiro e um mar de lama cobriu os locais onde funcionavam o sertor administrativo e o refeitório da empresa. Os rejeitos também varreram uma pousada na região e várias propriedades rurais, além de contaminar a água de córregos e do rio Paraopeba.

Como forma de impedir que os rejeitos cheguem ao São Francisco, a Vale tem instalado membranas ao longo do Paraopeba. A terceira começou a ser instalada nesta segunda.   

Confira a pesquisa:

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