Exatos 70% das famílias belo-horizontinas com crianças matriculadas nas creches da cidade querem a volta das aulas presenciais. O desejo dos pais e mães é resultado de um questionário elaborado pela prefeitura para avaliar a adesão em um eventual retorno. O resultado da pesquisa foi informado pela secretária municipal de Educação, Ângela Dalben.

Vale ressaltar, no entanto, que a pesquisa foi feita em meados de fevereiro, quando a pandemia da Covid-19 não havia atingido o ápice na cidade, constatado agora. Na época, dois dos três indicadores que monitoram a doença estavam em nível verde: a taxa de transmissão, o Rt era de 0,95 e a ocupação das enfermarias, 47,9%. Os leitos de UTI constavam na zona amarela, com 67% de utilização.

Atualmente, o cenário é completamente diferente. A ocupação das vagas de terapia intensiva chegou a 89,2%, enquanto 75,6% dos leitos de enfermaria estão ocupados. O Rt, por sua vez, bateu recorde e atingiu 1,25, maior número desde maio de 2020.

O questionário foi encaminhado a 80 mil famílias, que respondem pelo total de crianças matriculadas na Educação Infantil nas escolas municipais e nas creches da rede parceira. Foram três questões objetivas: sobre a faixa etária, se voltarão à escola e se consideram importantes as atividades remotas.

A princípio, a ideia da administração municipal era retornar com o ensino presencial para crianças de até 5 anos em 8 de março. Porém, com o avanço da Covid-19, o plano foi adiado e não há previsão para a retomada 

Segundo a Secretaria de Educação (Smed), por enquanto, não será feita nova pesquisa, já que o foco está em diminuir o número de infectados em BH.

“Se todo mundo não colaborar, nossas crianças vão ficar sem escola. Peço, encarecidamente, a cada cidadão que pense duas vezes quando fizer atividades fora de casa. É fundamental que a gente retorne à normalidade e que as crianças possam estar dentro das escolas, se desenvolvendo, brincando e aprendendo”, disse, Ângela Dalben.

O apelo aconteceu após o anúncio de mais restrições no funcionamento do comércio. A partir de hoje, lojas de materiais para construção civil e atividades educacionais estão suspensas. Restaurantes só poderão trabalhar com delivery, enquanto carros de lanches estão proibidos. Cultos em igrejas também não estão autorizados.

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