A pesquisa da Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz), que comprovou a imunização contra a Covid de 89% dos profissionais de saúde vacinados no Hospital da Baleia, em Belo Horizonte, será replicada, a partir da próxima semana, em unidades de saúde da capital e região metropolitana. O objetivo é continuar a constatação da efetividade da proteção. O estudo é feito apenas em Minas.

A informação foi confirmada nesta sexta-feira (9) pela pesquisadora do órgão Rafaella Fortini. De acordo com ela, os nomes dos centros médicos que terão colaboradores testados serão divulgados na terça-feira (13). Dois hospitais estão em negociação para início da parceria de estudo.

Em análises feitas no Baleia, 89% dos profissionais vacinados com o imunizante desenvolvido pela farmacêutica chinesa Sinovac, em parceria com o Instituto Butantan, ligado ao governo de São Paulo, apresentaram anticorpos contra o coronavírus após receberem as duas doses. A proteção, conforme Rafaella, ocorreu 30 dias após a primeira aplicação.

O número de eficiência é alto, mas a expectativa dos pesquisadores é a de que ela seja ainda maior. Isso porque, conforme explicou a estudiosa, a conclusão de que 89% dos vacinados apresentaram anticorpos contra a doença foi alcançada após realização de testes RT-PCR, modalidade de análise muito segura, mas que pode apresentar falhas.

"Aqueles 11% ainda não reagentes de maneira nenhuma eles não estão imunizados. Eles estão protegidos contra a Covid e assim eles devem se sentir. Mas por que está dando não reagente? Bom, vários métodos que estão sendo utilizados na pesquisa, que são os diponíveis hoje para testagem, são métodos bons, mas que estão sendo aperfeiçoados, pois eles ainda apresentam falhas de detecção", explicou Fortini.

Por essa razão, a pesquisadora informou que o estudo vai extrapolar os exames PCR, que medem apenas os anticorpos, nos 11% que não apresentaram reagentes e uma análise celular, para o aprofundamento no assunto, será realizada. Os resultados devem ser divulgados em breve.

Por fim, outro ponto que pode explicar o porquê de 11% dos funcionários vacinados não terem apresentado reagentes contra a Covid é, segundo aRafaella, o tempo de resposta imunológica de cada paciente, que pode variar para se firmar.

Queda ao longo do tempo

Outro foco de estudo da pesquisa é o acompanhamento da efetividade da vacinação contra a Covid-19. Ou seja, é a conclusão de quanto tempo uma pessoa imunizada está protegida contra a enfermidade causada pelo coronavírus.

Conforme a pesquisadora da Fiocruz, os estudos de duração de efetividade das proteções ainda estão em andamento e são feitos por vários estudiosos em todo o mundo. O assunto ainda não tem uma questão fechada, mas já se sabe, segundo ela, que a expectativa é a de que a vacina contra a Covid seja eficaz "por anos". Ela não crava o tempo exato já que é um tema em análise.

"A gente tem expectativa da vacina durar por anos. Não se sabe se, assim como a própria vacina da gripe, que a gente faz um reforço anualmente, se haverá para a Covid. Fazemos esse reforço porque o vírus sofre mutações e novas formas de gripe aparecem. Da mesma forma, as mutações estão aparecendo no coronavírus", explicou.

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