Dez homens que armazenavam e compartilhavam pornografia infantil na internet foram presos em flagrante, na manhã desta quinta-feira (28), em Minas Gerais. Dentre os detidos está um cabo da Polícia Militar, de 33 anos. Na casa do oficial, investigadores da Polícia Civil apreenderam um notebook com mais de 5 gigas de imagens de crianças e adolescentes com conteúdos relacionados aos crimes de exploração sexual. Algumas das cenas mostrariam sexo explícito. 

Quando foi abordado, o PM, que mora em Contagem, na Grande BH, estava trancado no quarto tentando destruir as provas do crime. A assessoria de imprensa da corporação informou, por meio de nota, "que não coaduna com desvios de conduta e que já está tomando todas as providências, inclusive com a participação da Corregedoria da Polícia Militar (CPM) para instauração de Processo Administrativo Disciplinar (PAD), em concomitância com a prisão feita pela polícia investigatória".

A prisão do militar e de outros nove suspeitos aconteceu durante a 4ª fase da Operação Luz da Infância, deflagrada pelo Ministério da Justiça e Segurança Pública e pela Polícia Civil em todo o Brasil. A prisão de um 10º suspeito no Estado, que aconteceu em Itabira, na região Central, não fez parte da ação.

Entre as prisões feitas em Minas, três foram em flagrante na Região Metropolitana de Belo Horizonte: um suspeito de 33 anos de Contagem, um de 42, em Santa Luzia e outro de 59 em sabará. A outra prisão, de um suspeito de 41 anos, foi em Itabirito, na região Central.

A identidade dos presos não foi revelada, mas segundo a polícia, eles têm entre 20 e 70 anos. Há suspeitos casados, divorciados, solteiros, e de todos os níveis sociais. Nas imagens compartilhadas pelos investigados há cenas de sexo com crianças a partir de 5 anos.

No país, 135 suspeitos de compartilhar pornografia infantil haviam sido presos. Nos 26 estados e no Distrito Federal estão sendo cumpridos 266 mandados de busca e apreensão. Mais de 1.500 policiais foram mobilizados.

Buscas no Estado

Em Minas, a Justiça expediu 17 mandados de busca de apreensão, sendo que 16 foram cumpridos. Os homens que estavam visualizando o conteúdo ilícito no momento na abordagem foram presos em flagrante. Do total das detenções, seis aconteceram na Grande BH - Sabará, Itabirito, Santa Luzia, Mário Campos, além de Contagem e da capital.

Com os suspeitos, foram apreendidos notebooks, computadores, pen drives e celulares. Todos os materiais e as imagens serão analisados. A Polícia Civil informou que também irá apurar se algum dos suspeitos produzia o conteúdo. 

Agora, os homens estão à disposição da Justiça. A pena para quem armazena esse tipo de conteúdo varia de um a quatro anos de prisão, e de três a seis anos de prisão por compartilhar. Se indiciados e condenados pelos dois crimes, eles podem ficar até 10 anos atrás das grades.

Conforme o delegado Guilherme Santos, do Departamento Estadual de Investigação de Fraudes, a polícia vai continuar investigando suspeitos que agem em Minas Gerais, inclusive os que se escondem atrás da tela de um computador. "Não há impunidade na internet. Sempre é possível chegar a pessoa que comete esse tipo de crime", destacou. 

Já a delegada Isabela Franco Oliveira, da Divisão de Proteção à Criança e ao Adolescente (Dopcad), frisou que todos os suspeitos tinham o costume de baixar pornografia infantil na web com muita frequência. "Quem acessa esse material incentiva esse tipo de crime, e pode ser punido", enfatizou.

EUA colaboram com operação

A operação Luz da Infância é decorrente de cooperação mútua entre a diretoria de Inteligência e a diretoria de Operações, ambas vinculadas à secretaria. Houve também colaboração da Embaixada dos Estados Unidos no Brasil, por meio da Adidância da Polícia de Imigração e Alfândega, em Brasília, que ofereceu cursos e capacitações que subsidiaram as quatro fases da operação.

Leia mais:
Grande BH tem seis alvos em ação nacional contra abuso sexual de crianças e adolescentes
Denúncia da aparição de Momo em vídeos infantis assusta pais; assista a um trecho