A Polícia Civil informou nesta sexta-feira (5) que a figura central da obra de arte “Deus é mãe”, criada pelo artista Robinho Santana, para o Festival Circuito Urbano de Arte (Cura) e que estampa a fachada do edifício Itamaraty, no Centro de Belo Horizonte, não é alvo de investigação de crime ambiental. As figuras que reproduzem pichações, desenhadas em volta da imagem, é que estariam sendo apuradas.

O delegado responsável pelo inquérito, Eduardo Vieira, disse que as pichações que estavam no prédio eram o alvo da investigação inicial. Porém, mesmo cobertas pela pintura, elas foram reproduzidas na moldura da obra.

“Nossos levantamentos foram motivados anteriormente, por meio de mais de uma denúncia de condôminos que indicaram diversos atos de vandalismo, resultando em pichações que acabaram sendo cobertas quando da instalação do painel no edifício”, explicou Vieira.

Ainda segundo o delegado, uma série de crimes contra o patrimônio e o meio ambiente é investigada, uma vez que os denunciantes indicaram invasões, arrombamentos e depredações diversas quando o prédio passou a ser pichado. “Esses suspeitos teriam, inclusive, valendo-se de técnicas de rapel para consumar os supostos atos de vandalismo”, acrescentou.

O inquérito corre em segredo de Justiça, mas o delegado adiantou que várias provas estão sendo levantadas. “A PCMG tem o dever de trazer à luz da sociedade os fatos que envolvem o nosso trabalho, uma vez que tudo está sendo devidamente acompanhado pelo Poder Judiciário e o Ministério Público”.

Já o artista e a organização do Cura afirmam que o caso é motivado por racismo e preconceito. "Não aceitaremos a tentativa de criminalizar os artistas. Não aceitaremos a tentativa de criminalizar o festival. Não aceitaremos os ataques racistas à obra "Deus é mãe". Entramos hoje com pedido no Judiciário para obter o trancamento da investigação", informaram.