A Polícia Civil analisa o conteúdo de um vídeo entregue pela Backer que poderia reforçar a hipótese de que a cervejaria tenha sido alvo de sabotagem. Na noite desta sexta-feira (17), a corporação disse que se trata de mais uma peça investigativa envolvendo o caso.

Um ex-funcionário de uma distribuidora de produtos químicos de Contagem, na Região Metropolitana de Belo Horizonte (RMBH) foi ouvido pela Polícia Civil, nessa quinta-feira (16), na 4ª Delegacia de Polícia Barreiro, no inquérito que investiga a contaminação das cervejas por monoetilenoglicol e dietilenoglico, substâncias tóxicas encontradas em materiais recolhidos.

O advogado Mário Savieri, que representa a distribuidora fechada na tarde desta sexta por falta de alvará para a venda fracionada de monoetilenoglicol, disse que acompanhou o depoimento e a atesta a veracidade da filmagem.  “Ele mostra um fracionamento. O funcionário que entregou esse vídeo teve muito problema na empresa. É uma empresa pequena com seis funcionários e todos tiveram problema com ele. Ele fez algumas filmagens aqui dentro, não negamos, as imagens são reais, mas filmagens mostram, basicamente, o fracionamento”, explicou Saveri. 

De acordo com o Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (MAPA), exames periciais demonstram a presença das duas substâncias monoetilenoglicol e dietilenoglicol nos 21 lotes dos oito rótulos considerados contaminados. Além disso, lacrou tanques e demais equipamentos de produção, determinando a apreensão de 139 mil litros de cerveja engarrafada e 8.480 litros de chope.

Até o momento, quatro mortes estão sendo atribuídas à intoxicação por dietilenoglicol, encontrado na Belorizontina. Outros 14 pacientes continuam internados em estabelecimentos de saúde conforme a Secretaria de Estado da Saúde (SES). Eles  apresentaram sintomas semelhantes como insuficiência renal aguda de evolução rápida, alterações neurológicas centrais e periféricas que podem ter provocado paralisia facial, embaçamento ou perda da visão, alteração sensório, paralisia, entre outros sintomas.

Na noite desta sexta-feira (17), a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) determinou que as marcas de cerveja da empresa Backer com data de validade igual ou posterior a agosto de 2020 fossem interditadas. A decisão foi tomada após a divulgação de novas análises feitas pelo Ministério da Agricultura, que comprovaram a contaminação pelas substâncias monoetilenoglicol e dietilenoglicol em 21 lotes de oito marcas diferentes de cerveja da empresa.

A Backer informa que segue colaborando com as autoridades e vai respeitar a determinação da Anvisa.