Dois casos de gatos torturados e mortos foram registrados no domingo (29) no Parque Municipal de Belo Horizonte. A informação foi repassada por voluntários do SOS Gatinhos do Parque, que cuidam desses animais no local. A Fundação de Parques Municipais e Zoobotânica, órgão da Prefeitura responsável pelo espaço, informou que os casos trazem indícios de ação humana e, por isso, a Polícia Civil instaurou um procedimento para apurar os casos.

Uma das gatas, conhecida como Frida, foi encontrada morta com um galho de árvore na boca. O outro felino foi morto de forma parecida, mas com um pedaço de galho no ânus. Segundo a veterinária Micaella Simão Mendes, uma das responsáveis pelo atendimento aos animais, estes não são casos isolados. Em agosto do ano passado, o Hoje em Dia também mostrou denúncias de outras ocorrências registradas no local.

Durante todo o ano de 2020, aproximadamente 200 gatos foram encontrados mortos pelos voluntários, uma média de cinco por semana. O grupo cuida dos animais através de doações recebidas por meio de uma página no Instagram. "São de 300 a 400 gatos que ficam no local, a maioria deles são dóceis, moram no parque há muitos anos. Essas mortes e covardias não começaram ontem, têm muito tempo. Já achamos gato esquartejado”, contou a veterinária. 

Os animais foram encontrados próximo ao Teatro Francisco Nunes. A associação solicitou à administração as imagens das câmeras de segurança. “Nós vemos isso tudo como uma grande covardia. Com eles, que são indefesos, e com a gente por não ter ajuda quando isso acontece. Geralmente, os gatos que são vítimas são animais muito mansos”, lamentou. 

Casos são investigados pela Polícia Civil 

A Polícia Civil de Minas Gerais instaurou um procedimento para apurar as mortes dos animais. De acordo com informações divulgadas na tarde desta segunda-feira (30), eles foram encaminhados para realização de exames que apontaram, a princípio, que a maioria estava aparentemente saudável. A perícia e uma equipe de investigadores estiveram no local. Ainda segundo a Polícia Civil, os animais apresentam lesões semelhantes a mordidas que podem ser, por exemplo, de cães. Outros exames estão em andamento.

A Fundação de Parques Municipais e Zoobotânica informou, por meio de nota, que está intensificando a fiscalização dentro do local para proteção desses animais. “Entre as ações já em curso, está sendo feita a modernização de toda a iluminação do Parque, com a instalação de lâmpadas de led que vão facilitar a vigilância pelas equipes da Guarda Municipal e do Parque. Está sendo feito um reforço do cercamento, com a instalação de novas telas no local. Também está em andamento um projeto de ampliação do videomonitoramento já existente no local, que vai contribuir não só no manejo dos animais abandonados no parque, mas também para a fiscalização em outros temas sensíveis de segurança, vigilância e manutenção do espaço público”.

Ainda segundo o comunicado, os cerca de 300 gatos que vivem no local são vítimas de abandono e, por isso, a fundação, juntamente com outros órgãos da PBH, atua com ações para coibir o abandono de animais no local, e também no controle populacional, por meio de castração e programas de adoção, além de estreita parceria com cuidadores voluntários que atuam no parque. “Apesar de todos os esforços já adotados, incluindo ações preventivas e corretivas e o estabelecimento de parcerias para cuidados com esses animais, a fundação foi surpreendida com tais ocorrências, requerendo o planejamento de medidas para coibir essas agressões”, finalizou a nota.

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