Com o tumulto de protestantes contrários às prisões durante as manifestações de 7 de setembro, a Polícia Civil cancelou, no fim da manhã desta segunda-feira (9), a apresentação dos 15 detidos. A confusão ocorreu na porta da 1ª Região Integrada de Segurança Pública (Risp), onde era realizada a entrevista coletiva que abordava o caso. 
 
Para a Polícia Civil, as pessoas que foram presas em flagrante cometeram crimes graves como formação de quadrilha, corrupção de menores, dano ao patrimônio e incitação à prática criminosa, além da constituição de milícia privada, que prevê reclusão de 4 a 8 anos.
 
Para Lucas Veloso, um dos organizadores da manifestação da Operação 7 de Setembro (Op7), há um exagero da polícia. “Um amigo meu foi preso por formação de quadrilha e por porte de produto químico. A polícia está se aproveitando do fato de a gente estar organizado e porque ele estava com o produto para se livrar do efeito do gás e o enquadrou nesses crimes. É um absurdo”, afirmou. 
 
Para Veloso, a polícia tem muito a perder ao agir dessa forma. “Quando eles fizerem manifestação por melhores salários não vão ter apoio da população. Está havendo repressão exagerada da polícia em vários Estados. Em Brasília, o policial lançou o gás em manifestantes que não tinham ultrapassado a linha limite e em São Paulo uma viatura quase atropelou as pessoas”, exemplificou. A Ordem dos Advogados do Brasil (OAB), segundo Veloso, montou uma comissão de advogados que têm prestado assessoria jurídica aos presos políticos. 
 
Segundo a Polícia Civil, parte dos presos tem passagens pela polícia por furto e porte de drogas. Um dos detidos teria confessado ser do grupo Black Bloc. 
 
“A democracia significa, também, respeito às leis. As prisões foram feitas com base em crimes previstos pelo Código Penal e o nosso trabalho não termina aqui. As investigações continuam e se verificarmos vínculos entre aqueles que foram liberados e os que tiveram o flagrante ratificado, novas prisões poderão ocorrer”, afirmou o chefe do 1º Departamento da Polícia Civil, delegado Anderson Alcântara.
 
O delegado Hugo e Silva, que coordenou os trabalhos de polícia judiciária, também esteve presente na coletiva. As autuações só foram concluídas às 8 horas de domingo (8), segundo a Polícia Civil. Isso porque todos os presos precisaram ser devidamente identificados. Parte dos 55 detidos foi liberada por terem cometido crimes de menor poder ofensivo, conforme a Polícia Civil. 
 
Contudo, as pessoas que foram registradas por vídeo e fotografias em atitudes suspeitas, também continuam sendo alvo de investigações. “Todos os procedimentos da Polícia Civil foram acompanhados por integrantes do Ministério Público, da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB-MG) e da Defensoria Pública”, ressaltou Hugo e Silva.
 
Do grupo dos 15 que permanecem presos no Centro de Remanejamento do Sistema Prisional (Ceresp) do bairro Gameleira, na região Leste da capital, nove foram detidos na Praça da Liberdade.
 
Os demais cometeram crimes na porta da Área Integrada de Segurança Pública (Aisp), onde a Polícia Civil recebia as ocorrências. O jovem detido por tirar as calças na Praça da Liberdade não está entre os presos em flagrante. Por ser menor de 18 anos de idade, ele foi encaminhado ao Centro Integrado de Apoio ao Adolescente Infrator (CIA).
 
(*)  Com informações da Polícia Civil de Minas Gerais.