A Polícia Civil de Minas Gerais cumpriu, na manhã desta quinta-feira (10), mandado de busca e apreensão na casa do suspeito de abuso sexual contra crianças do Colégio Magnum, na Região Nordeste de Belo Horizonte. O suspeito era auxiliar de educação física da escola e foi demitido assim que uma denúncia veio à tona, na última sexta-feira (4). Ele diz que é inocente.

Na última sexta (4), a mãe de uma criança de três anos alegou que o então estagiário teria abusado do filho dela. Outros dois casos foram relatados nos dias seguintes e, até o momento, 33 pessoas prestaram depoimentos. Segundo a PC, outras diligências ainda serão realizadas e não há prazo para a conclusão do inquérito. A expectativa é que o suspeito seja ouvido após o depoimento de pais e testemunhas.

A defesa do suspeito, o advogado Fabiano Lopes, confirmou as buscas e disse que a Polícia Civil apreendeu apenas um celular, que não pertencia ao ex-estagiário do Magnum. "Eles (a PC) puderam ver a humildade da casa dele, não tem nada lá, não tem o que apreender", afirmou.

Segundo Lopes, por medo, o suspeito não está ficando em casa. Lopes ainda disse que, esta semana, está ouvindo pessoas que possam ser testemunhas do estagiário no caso. 

A reportagem procurou pela escola e aguarda retorno. Em nota anterior, a direção do Magnum informou que, desde que foram ouvidos os relatos dos pais da primeira denúncia, "foram colocadas à disposição da família as assessorias jurídica e psicológica, e o profissional envolvido foi afastado de suas funções para auxiliar na transparência das apurações". E ainda: que "a instituição está à disposição dos órgãos competentes e empenhada para que tudo seja esclarecido com urgência e celeridade".

Entenda

O primeiro caso veio à tona no dia 4 de outubro, após denúncia da mãe de um menino de 3 anos. Ela procurou a polícia e contou “que seu filho ficava tentando beijar sua boca, atitude não comum entre mãe e filho”. Ela disse também que, ao questionar o comportamento, ele respondeu que teria aprendido isso com o suspeito.

Ainda de acordo com a mãe, o aluno "foi forçado a tocar no pênis do autor e que o autor tocou no pênis da vítima”. De acordo com a Polícia Militar, a mãe voltou a questionar a criança, que, por sua vez, fez gestos indicando que teria feito sexo oral com o rapaz. 

O segundo caso teria sido semelhante, com a criança relatando situações parecidas com as denunciadas anteriormente. Ele foi identificado durante reunião realizada com pais de alunos e escola. Na ocasião, o pai relatou que o filho também apresentou indícios de ter sido abusado pelo auxiliar de educação física. Os pais do menino fizeram registro na  Delegacia Especializada de Proteção à Criança e ao Adolescente (Depca). 

Nessa quarta-feira (10), a Polícia Civil recebeu mais uma denúncia de supostos abusos sexuais que teriam ocorrido dentro do Colégio Magnum, em Belo Horizonte. Desta vez, além do estagiário de educação física, que teve o nome ligado a supostos estupros contra duas crianças de 3 anos, um professor também foi citado no caso.

Quinze depoimentos de familiares de crianças e funcionários foram colhidos também nessa quarta pela Polícia Civil. Com isso, até o momento, já são 33 pessoas ouvidas. 

Outros detalhes da investigação serão repassados ao final dos trabalhos, segundo a PC.

Defesa

Em entrevista ao Hoje em Dia, o suspeito afirmou que é inocente e pediu para que as pessoas não façam julgamentos sem provas. De acordo com o estudante de educação física, desde que as denúncias vieram à tona, ele deixou de frequentar as aulas na faculdade, teve que apagar as contas nas redes sociais e vem vivendo com medo, já que algumas ameaças foram recebidas. "A minha vida agora está complicada. Chegaram coisas como: 'não saia na rua' e 'você vai pagar por tudo o que fez'. Eu não sabia de casos como esse, mas meus advogados me mostraram o que aconteceu na Escola Base e até de um rapaz que foi assassinado sem ter nada a ver com uma denúncia de abuso. Vendo esses fatos e, por eu estar sendo acusado, fica esse medo, né?", revela.  

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