Cassado em novembro do ano passado pela Câmara Municipal de Belo Horizonte por quebra de decoro parlamentar, o ex-vereador Wellington Magalhães foi indiciado pela Polícia Federal. De acordo com relatório a que a Rede Globo e o Portal G1 tiveram acesso, foram identificadas irregularidades nas contas apresentadas à Justiça Eleitoral para o pleito de 2016.

Magalhães apresentou uma declaração de bens de cerca de R$ 921 mil, mas as investigações da PF constataram a existência de propriedades não listadas ou com valor bastante inferior ao de mercado - a estimativa chega a R$ 3,4 milhões. Identificaram ainda, sinais de enriquecimento ilícito entre 2010 e 2016.

O ex-vereador havia sido preso em 2018 num desdobramento de investigação da Polícia Civil sobre irregularidades na Câmara Municipal, como despesas superfaturadas e o uso de empresas de fachada. Um mês depois, obteve o direito de responder em liberdade, usando tornozeleira eletrônica. Conseguiu, no Superior Tribunal de Justiça (STJ), autorização para retomar o mandato e, depois de um primeiro processo de cassação em que não houve votos suficientes para a perda dos direitos parlamentares, foi afastado no fim de 2019.

As cinco acusações a que foi submetido foram votadas de forma separada e apenas em uma delas (exercício do mandato portando tornozeleira) não houve placar suficiente - as demais foram improbidade administrativa e fraude em licitação pública; tráfico de influência; ameaça a outros vereadores e cidadão; falsa declaração prestada às autoridades públicas e abuso de prerrogativa na ampliação do próprio gabinete e eliminação do Plenário Paulo Portugal.

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