Dois pastores de igrejas evangélicas foram presos suspeitos de abuso sexual contra menores em Ibirité, na Região Metropolitana de Belo Horizonte. As investigações da Polícia Civil concluíram, nesta terça-feira (29), que os homens se utilizavam da liderança espiritual e da vulnerabilidade das vítimas para cometer os crimes. 

As prisões preventivas foram feitas durante a 2ª fase da ação batizada de “Inocência” e entre as vítimas estão duas crianças menores de 14 anos. Na primeira fase, três pessoas foram presas na mesma cidade da Grande BH, na ação que combate crimes sexuais cometidos contra crianças e adolescentes. 

Os dois suspeitos tiveram suas prisões decretadas preventivamente na última semana. O primeiro suspeito, de 57 anos, foi preso no dia 21 de outubro em Ibirité. Já o segundo homem, de 47, foi preso no dia 22, em Contagem, também na RMBH.

Segundo a polícia, um dos suspeitos foi detido em casa, onde funciona uma igreja. Ele teria abusado de uma menina de 12 anos e da mãe dela. “Ele iniciou com uma oração e passou a sussurrar e falar palavras elogiando a criança e a partir do momento em que ele passou a tocar suas partes íntimas, ele perguntava se ela estava gostando, se ela estava sentindo calor. Que os homens iam querer fazer aquilo que ele estava fazendo”, detalhou o delegado Wellington Faria.

Ainda segundo o delegado, a mulher do pastor sabia dos crimes e em alguns casos chegou a ajudá-lo. “Nós entendemos que a participação dela se deu de forma ativa, tendo em vista que ela funcionava despistando as demais pessoas. No dia da visita à família da adolescente, ela ficou incumbida de despistar os pais da criança. Ela simulou estar se sentindo mal, indo diversas vezes ao banheiro e com isso atraiu a atenção dos pais, o que propiciou que o pastor ficasse a sós com a menina”, disse faria.

Em outro caso, a vítima de outro líder espiritual foi a própria enteada de 13 anos. As investigações apontaram que a menina foi abusada por mais de um ano sob a ameaça de que seria separada da mãe se contasse alguma coisa.

De acordo com Faria, um exame constatou os estupros. “Aos 15 anos ela começou a se automutilar e o problema foi detectado pela psicóloga da escola e chegou ao conhecimento da PC”.

A Polícia Civil informou ainda que mais denúncias contra outros suspeitos estão em fase final de apuração.