A Polícia Civil vai adotar uma nova metodologia para dar continuidade aos trabalhos de perícia no maquinário de produção das cervejas Backer. A ideia é elaborar uma técnica que permita a retirada total de qualquer produto químico do equipamento a ser testado. Isso porque os trabalhos de limpeza realizados nos tanques não foram suficientes. 

“Esvaziamos os tanques e realizamos uma primeira limpeza padrão, como se lá tivesse somente a cerveja, mas não foi suficiente para limpar. São necessários produtos específicos para a retirada do produto químico”, explicou o delegado Flávio Grossi, da 4ª Delegacia de Polícia Civil do Barreiro, responsável pela coordenação dos trabalhos. 

A segunda fase da perícia na fábrica começou nessa quinta-feira (27), e terminou com o tanque 10 esvaziado e o líquido transferido para o tanque 17. 

Nesta sexta (28), os tanques foram lacrados novamente. Ainda de acordo com o delegado,  a fornecedora dos tanques está auxiliando na elaboração de uma técnica que possibilite a retirada total de qualquer produto químico do equipamento a ser testado. “Interrompemos a perícia até certificarmos que está tudo limpo. A constatação será feita por meio de exames laboratoriais”, disse

Após a limpeza total, os peritos e investigadores irão colocar o tanque para funcionar, da mesma maneira como acontecia na produção das cervejas.  “Vamos observar se há vazamento, se escorre algum líquido e medir a quantidade de substância vazada”, disse, ainda, o delegado.

Somente após a conclusão desta segunda etapa é que será possível determinar se haverá ou não uma terceira etapa. Ainda não há previsão para o término dos trabalhos de perícia. 

Balanço

Já são 55 dias de investigações no caso Backer. Mais de 40 pessoas já prestaram depoimentos, dentre vítimas, familiares e outras testemunhas. Os laudos dos exames realizados em amostras das cervejas entregues pelos familiares das vítimas estão em fase final de elaboração. 

A Polícia Civil investiga 34 casos de contaminação por dietilenoglicol. Seis pessoas morreram, sendo que duas ainda não foram necropsiadas. Em um dos outros corpos foi constatada a presença de dietilenoglicol no sangue e as amostras de outras três vítimas ainda são analisadas no laboratório do Instituto de Criminalística.

Até esta quinta-feira, a Secretaria Estadual de Saúde (SES) foi notificada de 31 casos suspeitos de intoxicação com cervejas - 26 homens e cinco mulheres. Quatro tiveram o dietilenoglicol detectado no sangue. Uma morte pela substância foi confirmada e cinco estão sendo apuradas.

No último dia 20, o Mapa informou que 12 rótulos e 53 lotes de bebidas da cervejaria foram contaminados. A Polícia Civil, em paralelo, estendeu as investigações de possíveis intoxicações a pessoas que possam ter tomado produtos da Backer desde 2018.

Na semana passada, a 23ª Vara Cível de Belo Horizonte determinou que a empresa pague todos os tratamentos médicos das vítimas que foram intoxicadas. Além da alimentação, transporte e estadia de hospitais, a companhia terá que custear as despesas psicológicas de atingidos e familiares das vítimas.

A decisão também estendeu o bloqueio de verbas para uma outra empresa ligada à Backer, a Empreendimentos Khalil. No início do mês, o Tribunal de Justiça já havia ordenado que R$ 100 milhões da cervejaria fossem bloqueados.

Conforme os advogados de 13 possíveis intoxicados, dois sócios da Backer, que tinham participação na Empreendimentos Khalil, deixaram a sociedade da empresa no último dia 10. Apesar da semelhança de nome, a Khalil não tem relação com o prefeito da capital mineira. 

A Justiça reconheceu que dinheiro, veículos e imóveis da Khalil devem ser bloqueados para garantir as verbas necessárias para custeio dos danos.

Em nota, a Backer reafirmou estar interessada em "elucidar os fatos o mais breve possível" e disse estar disponível para colaborar com as autoridades.

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