A Polícia Civil estendeu as investigações sobre a síndrome nefroneural, supostamente causada pelo contaminação das cervejas da Backer, e passou a incluir registros de pacientes com o mesmo quadro desde 2018. 

A informação foi confirmada na tarde desta sexta-feira (14) pelo delegado Flávio Grossi. “Muitas estão em situação muito complexa, com limitações físicas graves, sendo que algumas não conseguiram sequer comparecer à delegacia para prestar depoimento quanto ao tempo e ponto de consumo da cerveja”, afirmou.

Cervejaria Backer

Fábrica da Backer, no bairro Olhos d'Água

Até o momento 34 casos estão sendo investigados no inquérito. Seis pessoas morreram e em uma das vítimas a intoxicação por dietilenoglicol foi confirmada.“O que se pretende é chegar às causas dessa contaminação. Por ora, não descartamos qualquer possibilidade”, disse Grossi.

Fiscais do Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Mapa) estiveram na fábrica da Backer, no bairro Olhos d'Água, na região do Barreiro, em Belo Horizonte, nesta sexta-feira (14). Na vistoria desta tarde, além de conferir se a empresa cumpre a interdição, os agentes fizeram nova vistoria nos tanques e equipamentos. O espaço está fechado desde 10 de janeiro.

Fiscalização Backer

A cervejaria responde atualmente a três processos, todos em Brasília. Pelo Mapa, são dois procedimentos, um administrativo e um criminal, relacionados à suspensão de comércio e produção das bebidas supostamente contaminadas. O outro processo, também administrativo, foi aberto pela Secretaria Nacional do Consumidor (Senacom), órgão vinculado ao Ministério da Justiça e Segurança Pública, por problemas no recall das cervejas. A ação pode render multa de R$ 10 milhões.

A Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) também determinou o recolhimento de todos os 82 lotes de bebidas da marca, além da interdição de todas as cervejas produzidas pela empresa com data de validade igual ou posterior a agosto de 2020.

Reagentes

Ainda de acordo com a Polícia Civil, parte dos reagentes para fazer o exame de dietilenoglicol, que estavam em falta no Instituto Médico-Legal, chegaram e as análises já foram retomadas. 

O superintendente de Polícia Técnico-Científica, Médico-Legista Thales Bittencourt, esclareceu que o Instituto Médico Legal (IML) precisou paralisar os exames de sangue para preservar as amostras de sangue coletadas. “A suspeita inicial é de que se trataria de uma intoxicação por metanol. Portanto, à época, realizou-se exames para tentar constatar a presença da substância tanto nas vítimas como nas amostras de cerveja. Como as amostras de cerveja deram negativas para metanol, foi solicitado ao IML que interrompesse os exames de sangue das vítimas até que se identificasse qual seria o possível agente intoxicante”, detalhou. 

Isso porque as amostras das vítimas eram muito pequenas. "Não podemos começar a dosar para todo e qualquer agente sem ter uma suspeita inicial, sob o risco de não termos material para continuar a dosar quando de fato tivermos o agente tóxico envolvido”, completou.