Levantamentos feitos em diversos países indicam que a Covid-19 atinge especialmente os homens. De acordo com boletim epidemiológico divulgado nesta quarta-feira (8) pela Secretaria de Estado de Saúde (SES-MG), em Minas Gerais foram confirmados 338 casos entre o público masculino e 262 entre o feminino.

Segundo Milena Marcolino, professora do Departamento de Clínica Médica da Faculdade de Medicina da UFMG, há várias pesquisas sendo feitas em todo o mundo para se buscar explicações de por que os homens são mais acometidos pela Covid-19 e têm mais chances de morrer pela doença.

Não há nada conclusivo, mas algumas hipóteses foram lançadas. “Pode haver um fator biológico, pois sabe-se que o homem tem um sistema imunológico um pouco mais fraco para infecções bacterianas. Assim, há uma hipótese, relacionada ao novo coronavírus, de uma relação hormonal com desencadeamento da resposta imune”, diz a professora.

Aqui é importante deixar claro que a Covid-19 é causada por um vírus, mas o agravamento da doença se dá muitas vezes porque esse patógeno abre espaço para uma infecção provocada por bactéria – levando a uma pneumonia ou grave insuficiência respiratória. Entre as 14 mortes confirmadas pela doença em Minas, oito eram de homens.

Milena explica ainda que há hipóteses que levam em conta as diferenças comportamentais entre homens e mulheres. Uma delas avalia se eles seriam menos cuidadosos com a higienização das mãos e uso do álcool 70%.

“Está claro, na literatura médica, que os homens têm maior mortalidade que as mulheres no mundo todo em relação à infecção causada pelo novo coronavírus. Há hipóteses para o comportamento social, porque há uma maior incidência de tabagismo entre os homens. E por causa disso, surgem outras doenças, como as cardiovasculares e hipertensão arterial”, explica a professora Milena.

Para Dirceu Greco, professor da Faculdade de Medicina da UFMG e presidente da Sociedade Brasileira de Bioética, não é possível definir as causas mais prováveis para o fato de a doença acometer mais homens do que mulheres, pois a doença é muito nova para todos os cientistas.

Para ele, é possível que os homens estejam mais expostos nas ruas e, por isso, mais vulneráveis a um contágio. Vale lembrar que algumas profissões em que não foi possível fazer um isolamento social (como motoboys, garis, operários de fábricas, entre outros) são formadas majoritariamente por homens.

“O vírus não tem preferência por infecção, qualquer pessoa está vulnerável. Por enquanto, podemos pensar na hipótese da maior exposição. Homens se infectam mais porque saem mais. O que devemos dizer a eles é que fiquem mais em casa”, diz o professor, que faz questão de reforçar a importância do isolamento social como maneira de evitar um colapso no sistema de saúde.

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