Sem data definida para a aplicação do Exame Nacional do Ensino Médio (Enem) de 2021, estudantes estão com nervos à flor da pele. A ansiedade pode prejudicar a preparação para a principal porta de entrada do ensino superior. As incertezas sobre o teste também afetam faculdades, que já registraram queda nas matrículas no primeiro semestre deste ano.

Por conta da Covid-19, o Enem do ano passado precisou ser adiado. Inicialmente, a proposta previa um atraso de 30 a 60 dias. No entanto, devido ao agravamento da pandemia, a avaliação passou para janeiro de 2021. Diante de uma grande crise sanitária, muita gente deixou de fazer a prova, batendo recorde de abstenção – 55% dos candidatos não compareceram ao local do exame.

Alguns dos que fizeram se sentem lesados até hoje, como Igor Vinicius de Oliveira Souza, de 21 anos, aluno de arquitetura que deseja se transferir para a UFMG. Enquanto aguarda ser chamado pela instituição, ele quer iniciar um cursinho para não ficar parado e garantir boa nota no próximo teste. 

Ao mesmo tempo, alunos do ensino médio se dizem perdidos, sem perspectiva de quando será a entrada no ensino superior. “Sinto como se eu estivesse estudando à toa, me esforçando sem saber qual é exatamente o objetivo”, avalia Júlia Barreto Farias, de 17 anos.
A estudante do Coleguium tem aula integral duas vezes por semana, todas pelo computador, além de simulados praticamente todo sábado. 

Ela tem medo de colocar a saúde em risco para realizar o Enem. “Acho péssimo ter que fazer a prova na pandemia, mas infelizmente essa vai ser a realidade. É péssimo estudar nessas condições (ensino remoto)”.

Vinicius de Oliveira

“A gente realmente está se sentindo muito prejudicado”, diz Igor Vinicius de Oliveira Souza, de 21 anos

Foco
A ansiedade e o estresse são comuns a quase todos os candidatos. Porém, alguns têm tentando esquecer o imbróglio envolvendo novo adiamento. “Estou tentando manter meus estudos como se a prova fosse na data normal. Caso adie, vou ter mais tempo para estudar e revisar as matérias”, conta o Franklin Pereira de Almeida Perret, de 18 anos.

Alice Anselmo Lopes, de 18, que quer ser médica, pensa parecido. “Estou focando bem nos estudos e tentando me livrar de qualquer coisa que vem de fora e possa me desviar”, afirmou.

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