O Ministério Público de Minas Gerais (MPMG) acusa o prefeito reeleito de Mariana, Duarte Júnior (PPS), e outros dois servidores da prefeitura, de desviar materiais de construção e destinar a moradores da cidade - duramente atingida pelo rompimento da barragem da Samarco, há um ano - sem que fosse feito o prévio cadastramento e análise pela assistência social. Conforme a denúncia apresentada nesta semana, a secretária de Desenvolvimento Social e o secretário adjunto da pasta teriam falsificado cadastros com data retroativa e relatórios sociais dos beneficiários.

Duarte Júnior rebate a acusação. Diz que a situação foi mal-interpretada pelo MPMG.  "Em julho deste ano a prefeitura foi assaltada. Na ocasião, furtaram documentos da secretaria (de assistência social). Isso consta  no Boletim de Ocorrência registrado pela Polícia Militar", conta."Quando o Ministério Público fala que foram refeitos cadastros no intuito de ludibriar a Justiça, não é verdade. Foi necessário refazer todos os cadastros porque fomos furtados", reafirma o prefeito.

Ainda de acordo com o chefe do Executivo de Mariana, a prefeitura não foi oficialmente notificada sobre as denúncias, nem sobre o pedido do MP para que os secretários sejam afastados. Duarte Júnior não descarta recorrer de uma possível ação. "Primeiro tem que ver ser a Justiça vai aceitar ou não a denúncia. Mas iremos nos defender com certeza", adianta.

As denúncias oferecidas pelo MPMG fazem parte da Operação Primaz de Minas, deflagrada na quinta-feira (3). Na 4ª fase da ação, o órgão estadual também acusou os dois secretários de fraudar gabaritos de um processo seletivo simplificado. A Justiça aceitou essa ação e, liminarmente, determinou o bloqueio dos bens dos envolvidos.

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