O prefeito de Patos de Minas, no Alto Paranaíba, Luís Eduardo Falcão (Podemos), perdeu a paciência com cerca de 30 lojistas que manifestavam contra o fechamento do comércio na cidade, na tarde desta quinta-feira (4). O momento foi transmitido ao vivo por uma emissora de TV. O município faz parte da macrorregião Noroeste e será obrigado a adotar a onda roxa do Minas Consciente.

O caso teve início por volta das 13h30, quando cerca de 30 manifestantes do setor de lojas chegaram à porta da prefeitura e pediram para falar com o chefe do Executivo municipal. Eles portavam cartazes, usavam um megafone e exigiam que o comércio fosse reaberto.

De acordo com a assessora de comunicação da prefeitura, Carolina Tafuri, a cidade, que tem apresentado aumento no número de casos da Covid-19 nas últimas semanas, atendeu a uma recomendação do Estado e limitou o funcionamento lojista apenas no formato delivery por 15 dias.

O prazo terminava nesta quinta-feira, momento em que seria anunciada a flexibilização do comércio. No entanto, nessa quarta, o governo de Minas anunciou a criação da onda roxa do plano, que obrigou, entre outras coisas, a continuidade dos serviços fechados e o toque de recolher no período entre 20h e 5h. Os manifestantes foram à sede do Executivo para pedir que a prefeitura desobedecesse o Estado.

"Falcão desceu com os papéis para mostrar a evolução dos casos, a ampliação de leitos e todas as medidas que o município tem tomado e que não têm sido suficientes [para o combate à doença], mas não teve espaço para essa exposição. Eles não abriram esse espaço e já vieram com o intuito de não ouvir. Não permitiram que ele falasse", contou a assessora da prefeitura.

Em seguida, o prefeito jogou o material no chão e foi embora. "O problema é 15 dias com 300 casos. Não é 2020 inteiro com 10 casos, não", falou, aos gritos.

Ainda conforme a Secretaria de Comunicação da prefeitura, não há informações se o prefeito pretende se reunir em nova oportunidade com os manifestantes. A pasta esclareceu, porém, que o prefeito é empresário e está sempre em diálogo com os grupos, inclusive recebendo os comerciantes.

"A Prefeitura de Patos de Minas respeita o direito à liberdade de expressão e acolhe as manifestações quando feitas de maneira respeitosa e ordeira. O momento é delicado para todos, e nunca foi e continua não sendo o desejo da atual gestão interferir no trabalho e rotina da população e do comércio. Contudo, reduzir a circulação das pessoas, até o avanço mais efetivo da vacinação, ainda é a medida mais eficaz para frear o aumento de casos de Covid-19", informou, em nota. 

A reportagem tentou contato com a Câmara de Dirigentes Lojistas de Patos Minas, mas ainda não obteve retorno.

Situação em Patos

O boletim epidemiológico divulgado pela Secretaria de Saúde de Patos de Minas nesta quinta-feira (4) mostra que a média de novos casos de Covid-19, por dia, foi de 122 no período entre os dias 21 e 27 do mês passado. 

Até o momento, Patos já registrou 185 mortes pela doença e 9.906 casos confirmados. Além disso, 202 pessoas estão internadas devido à enfermidade nas redes pública e privada, sendo 138 delas em leitos de enfermaria e outras 64 em unidades de terapia intensiva. 

Ainda conforme o boletim, a taxa de ocupação dos leitos Covid-19, públicos e privados, está em 281% (clínicos) e 164% (UTI).

Leia mais:
Número médio de transmissão da Covid cai em BH e volta à zona amarela; UTIs seguem no vermelho
Médico sabarense de 29 anos é primeiro caso confirmado de reinfecção por Covid-19 em Minas
Toque de recolher e veto a gripados: infectologista analisa novas 'táticas' de combate à Covid