Novos temporais em Belo Horizonte, como os registrados na noite de quarta-feira (1º) e madrugada desta quinta (2), podem ocorrer até domingo (5). Em apenas seis horas, choveu cerca de 100 milímetros (mm) somente na Pampulha – o equivalente a 30% do que historicamente é esperado para todo o mês de janeiro.

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Moradores e comerciantes da avenida Vilarinho passaram esta quinta-feira limpando os imóveis

Conforme o Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet), as tempestades foram provocadas por uma frente fria que chegou do Sul do país. Alerta emitido pela Defesa Civil da capital indica a possibilidade de pancadas de chuva, com raios e rajadas de vento em torno de 50 km/h, até a manhã desta sexta-feira (3).

Nos próximos dias, as precipitações devem superar a marca dos 100 mm, destacou o meteorologista Cleber Souza. Com as previsões, moradores e comerciantes afetados pelas cheias do primeiro dia de 2020 afirmam que devem passar dia e noite em vigilância, para evitar mais prejuízos.

Segundo a PBH, a licitação das obras para conter as cheias na Vilarinho está prevista para este ano. A Superintendência de Desenvolvimento da Capital (Sudecap) está em fase inicial de sondagem e elaboração de cadastros para as desapropriações

Sem dormir

É o caso de uma pensionista, de 62 anos, que pediu para não ter o nome divulgado. Há quase quatro décadas vivendo em uma rua que faz esquina com a avenida Vilarinho, em Venda Nova, desde 1996 a casa dela é invadida pela água. Na noite de quarta-feira não foi diferente.

A moradora e dois filhos passaram a madrugada limpando o imóvel. “Hoje (ontem) mandei fazer placas para colocar nas portas da sala e da cozinha. Só a chapa de aço que instalamos no portão da garagem, em 1997, não está sendo suficiente. A gente nem dorme mais direito quando chove”, lamenta a mulher.

Pampulha

A Vilarinho ficou fechada durante duas horas e meia, até o nível da água abaixar. Mas a avenida Otacílio Negrão de Lima, na Pampulha, passou parte do dia interditada. Lá, o trecho entre avenida Antônio Francisco Lisboa e rua Orsi Conceição de Minas ficou alagado.

Segundo a prefeitura, inundação não é comum na via. Porém, o volume de precipitação na região foi alto. Nas imediações do zoológico há uma enseada onde a drenagem é feita por canaletas, mas a estrutura não foi suficiente para escoar toda a água.

chuvas barranco jardim montanhês anelParte de barranco cedeu e caiu no Anel Rodoviário, na região Noroeste

Situação em Minas

No bairro Jardim Montanhês, região Noroeste da capital, a quadra da Escola Estadual Professora Benvinda de Carvalho foi interditada pela Defesa Civil após parte do barranco que dá sustentação aos fundos da construção, de cerca de 20 metros de altura, ceder com a chuva e invadir a pista marginal do Anel Rodoviário. Um veículo tentou passar sobre a lama, mas ficou atolado e foi rebocado por um guincho. O motorista não se feriu.

Já em Betim, na Grande BH, o córrego Guandi transbordou e inundou vários imóveis nos bairros Bandeirinhas, Teresópolis, São Caetano e Petrovale. Sete ocorrências foram registradas, sem feridos, de acordo com a Superintendência Municipal de Defesa Civil.

Também na região metropolitana, 35 famílias ficaram desalojadas em Sarzedo, após o temporal da tarde de quarta-feira. A comunidade mais afetada Riacho da Mata, onde 30 casas foram atingidas.

Na Zona da Mata, um carro foi engolido por uma cratera que se abriu na MG-447, entre Ervália e Coimbra, após as tempestades. Ninguém se feriu. A rodovia é uma das vias usadas por moradores de Muriaé que seguem para Belo Horizonte. 

*Com Cinthya Oliveira e Renata Evangelista

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