Quase 10 mil presos e adolescentes privados de liberdade retomaram, nesta semana, os estudos para obtenção dos diplomas nos ensinos fundamental e médio. Segundo o governo do Estado, um grupo fez o Exame Nacional para Certificação de Competências de Jovens e Adultos para Pessoas Privadas de Liberdade (Encceja PPL) nessa quarta (13) e quinta-feira (14). 

No total, 178 unidades prisionais e 21 unidades socioeducativas estão envolvidas na ação. O Encceja PPL é uma realização do Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira (Inep), gratuita e de participação voluntária. São quatro provas objetivas com 30 questões cada e uma redação, de acordo com o nível de ensino de cada candidato. 

O diretor do Centro Socioeducativo de Governador Valadares, no Leste de Minas, Renato Douglas Barbosa, reforça a importância dos testes para incentivar a continuidade nos estudos. “Sobretudo no contexto socioeducativo, pois os garotos apresentam defasagens escolares e, com o exame, têm a oportunidade de avançar no processo de escolarização. O exame estimula a dar continuidade aos estudos, criar e ampliar as oportunidades na vida, tudo por meio da educação”, explica.

De acordo com o Executivo estadual, a Penitenciária de Contagem I (Penitenciária Nelson Hungria), na Grande BH, foi a que teve o maior número de inscritos. Lá, 546 detentos participam das provas. Em Uberaba, no Triângulo Mineiro, 101 acautelados participam da certificação para o ensino fundamental e outros 51 para o médio. 

O alto número de inscritos no Encceja representa também a quantidade de alunos atualmente matriculados: 5.702, em 122 escolas instaladas dentro das unidades prisionais mineiras. A diretora de Ensino e Profissionalização do Departamento Penitenciário, Regina Duarte, ressalta o poder de transformação desse processo. "A educação tem o poder de transformar a sociedade, tornando o cidadão mais crítico e consciente da sua própria história. É um processo em constante desenvolvimento, que envolve o conhecer, o fazer, o conviver e o ser”.

A aplicação das provas é feita pelos chefes de sala e coordenada pelo responsável pedagógico de cada unidade prisional e socioeducativa. Também é o responsável pedagógico quem faz o levantamento juntamente com a equipe de segurança sobre a demanda para a realização da prova, após manifestação dos interessados. 

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