Após a nuvem densa de fumaça – provocada principalmente por queimadas em cidades vizinhas – tomar conta de Belo Horizonte, agora é o fogo, cada vez mais perto das casas, que assusta os moradores. Nesta sexta-feira, um incêndio de grandes proporções atingiu a zona Oeste. Tanto na capital quanto na região metropolitana, as chamas não dão trégua.

Nos últimos dois dias, BH e municípios do entorno concentraram 55 dos 545 focos monitorados por satélites, pelo Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe), no Estado. No entanto, as ocorrências têm sido tão intensas que os Bombeiros admitem dificuldade de fechar as estatísticas. Os registros na Grande BH estão acima do esperado para essa época.

“Neste período, estamos tendo mais trabalho nos atendimentos, principalmente nas áreas onde há matas abertas, que estão secas pela falta de chuvas. O vento também ajuda o fogo a se espalhar, e no ar seco, a propagação é mais rápida”, diz o tenente da corporação, Sandro Júnior.

O calor e a secura obrigaram a Defesa Civil a emitir mais um alerta de saúde. A umidade relativa do ar estava em torno de 20%. Mesmo índice foi verificado nas cidades vizinhas, conforme o Instituto Nacional de Meteorologia. O recomendado é acima dos 60%. Já os termômetros, chegaram a marcar 34,7°C. 

Intenso

A sucessão de queimadas leva os Bombeiros a se desdobrar para dar conta de chegar a todos os locais com a rapidez necessária. Entre quinta e sexta, de acordo com o tenente Sandro Júnior, mais de 25 chamadas foram verificadas.

“Temos tido queimadas grandes, como em Esmeraldas, Lagoa Santa e no Rola-Moça. Mas há também um número significativo de pequenos focos na área urbana. E o combate dos registros menores tem que ser feito o quanto antes para que a ocorrência não demande mais trabalho depois”, acrescenta.

Um dos atendimentos que mobilizou esforço extra aconteceu próximo a uma área de mansões, no bairro Buritis, Oeste de BH. Um incêndio tomou conta de parte da vegetação, espalhando medo, fumaça e sensação de calor até na região Centro-Sul. Segundo o Corpo de Bombeiros, testemunhas disseram ter visto pessoas invadindo o terreno e ateando fogo.

“É crime”, reforça o tenente. O militar orienta não colocar fogo em lixo, evitar fumar perto de matas ou à beira de estradas e, em qualquer ocorrência, acionar rapidamente a corporação pelo telefone 193.

Clima

Com várias queimadas na Grande BH, a metrópole registrou, quarta e quinta-feira, o céu tomado por uma névoa com fuligem e forte cheiro de fumaça. Segundo o diretor de Meteorologia e Alerta de Risco da Defesa Civil da capital, Dayan Carvalho, a concentração de poluentes foi impulsionada pelo efeito dos incêndios.

“A massa de ar seco e quente que está sobre a região deixa a atmosfera inerte e, então, os poluentes ficam parados na baixa atmosfera, que é esta mais próxima de nós, e que precisa do vento para que as partículas se dissipem. Isso também afeta a sensação de calor”, comentou.

Mudança de estação

Se os últimos dias do inverno foram marcados por um calor intenso, a primavera, que chega nesta segunda-feira, promete aliviar, pelo menos um pouco, o tempo seco, o que pode ajudar no combate aos focos.

Segundo o Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet), a massa de ar seco sobre a Grande BH deverá se movimentar. O meteorologista Claudemir Duarte diz que, de início, a primeira sensação será a de temperatura mais amena. “Entre domingo e o meio da semana teremos predomínio de céu nublado, com a temperatura máxima em viés de declínio. A previsão é que atinja até 31°C no domingo, mas não passe dos 29°C na quarta”, explicou.

Porém, o que mais vai ajudar a tirar a fuligem do ar são os ventos, que devem ficar mais fortes também a partir de segunda-feira. “Na quarta estão previstas rajadas moderadas, porque haverá uma movimentação das massas, fazendo com que a poluição se dissipe”, disse.

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