A tarifa do metrô de Belo Horizonte vai chegar a R$ 4,25 em 1º de março de 2020. O valor é 25% maior que o reajuste inicialmente proposto, de R$ 3,40. A escalada do preço começa na próxima quarta-feira, quando os usuários passarão a pagar R$ 2,40. A partir daí, o acréscimo será realizado a cada dois meses. 

Atualmente, a passagem custa R$ 1,80. Em menos de um ano, porém, ficará 136% mais cara. O cronograma foi definido ontem, em audiência de conciliação entre a Companhia Brasileira de Trens Urbanos (CBTU) e o Instituto Defesa Coletiva (IDC), na 15ª Vara da Justiça Federal em Minas Gerais. 

Após o reajuste da semana que vem, em 2019 os acréscimos ainda acontecem em julho (R$ 2,90), setembro (R$ 3,40) e novembro (R$ 3,70). Já em 2020, em janeiro (R$ 4) e março (R$ 4,25). Depois de 30 de abril, um novo preço, ainda não determinado, entrará em vigor.

Insatisfação

Logo após o anúncio do cronograma, houve muitas reclamações nas estações da metrópole. Passageiros disseram terem sido pegos de surpresa com o reajuste acima do que foi dito anteriormente. À reportagem do Hoje em Dia, eles avaliaram que a alta não corresponde ao serviço prestado, considerado ruim por muitos entrevistados.

Morador de Ibirité, na Grande BH, o manobrista Fernando de Oliveira afirma esperar melhorias no sistema. “Mas se continuar do jeito que está não adianta”.

“Sou desempregado e vai apertar muito. Não vale esse preço”, avalia o autônomo Gabriel de Oliveira.

A doméstica Lúcia de Fátima já pensa no que vai fazer. “O nosso salário não sobe de dois em dois meses”.

Acordo

Presidente do IDC, Lilian Salgado diz que o acordo, embora não tenha agradado ao Sindicato dos Metroviários (Sindimetro) e movimentos sociais, é uma forma de preparar melhor o usuário. “Com o escalonamento, o consumidor terá oportunidade de planejar e custear esse aumento”, explica. 

Segundo ela, a negociação acertada também prevê que a CBTU invista R$ 2 milhões em projetos de mobilidade urbana, meio ambiente e sustentabilidade dentro do sistema metroviário até dezembro do próximo ano. 

Insatisfeito com o acordo, o Sindimetro promove amanhã uma reunião com movimentos sociais, na tentativa de impedir a subida do preço, segundo o presidente do sindicato, Romeu Machado. “Estávamos lutando contra um aumento que seria de R$ 3,40 e agora vai subir ainda mais. Nós, do sindicato e os movimentos sociais, não queríamos acordo, mas o IDC é a entidade legítima para isso e entendeu que seria melhor”, avalia.

Imbróglio

O reajuste da passagem do metrô de BH e outras cinco capitais do país estava sendo aventado desde maio de 2018. A alegação da CBTU era de que, no caso da cidade mineira, o valor estava congelado desde 2006.

Por duas vezes, a tarifa chegou a ser alterada, mas decisões da Justiça suspenderam a medida. Porém, uma liminar que proibia o aumento e estava em análise desde novembro foi derrubada na última segunda-feira, abrindo caminho para a mudança do preço.

Procurada pela reportagem, a assessoria da CBTU enviou a seguinte nota:

"Após audiência de conciliação realizada na 15ª Vara da Justiça Federal de Minas Gerais, a CBTU iniciará a implementação do reequilíbrio tarifário de maneira progressiva. A data ainda não está definida e terá ampla e prévia divulgação.

A CBTU reforça que há cerca de 13 anos não há alteração nas tarifas em Belo Horizonte, 15 anos em Natal, Maceió e João Pessoa e 7 anos em Recife, atingindo avançada defasagem ante ao custo de manutenção do sistema."

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