A Fundação Renova apresentou nesta terça-feira (22) um balanço das ações de reparação após o rompimento da barragem de Fundão, no Complexo de Germano, da Samarco, ocorrido em  Mariana, na região Central do Estado, em novembro de 2015.

Na tragédia, os rejeitos destruíram distritos e atingiram mais de 40 cidades em Minas e no Espírito Santo e chegaram ao mar pelo rio Doce. Dezenove pessoas morreram.

Segundo a fundação, até agosto deste ano, foram destinados R$ 6,68 bilhões para as ações integradas de recuperação e compensação socioambiental e socioeconômica e cerca de R$ 1,84 bilhão em indenizações e auxílios financeiros emergenciais para 319 mil pessoas. 

Bento RodriguesConstrução de casas no distrito de Bento Rodrigues, em Mariana

No reassentamento de Bento Rodrigues, distrito devastado pela lama, seguem as obras de alvenaria de casas e de fundação da escola municipal. Em Paracatu de Baixo, também atingido pelo rompimento, as famílias discutem com os arquitetos o desenho das novas casas enquanto as obras de infraestrutura são implantadas.

Em relação ao rio Doce, a fundação informou que há 92 pontos de monitoração desde Mariana até a foz, sendo 22 deles verificados por estações automáticas, que geram informações em tempo real. Além de outros 40 parâmetros que avaliam os sedimentos. E que as condições da bacia hoje são semelhantes às de antes do rompimento. Ainda de acordo com o levantamento, o rio é enquadrado na classe 2 pelo Conama (Conselho Nacional do Meio Ambiente), o que significa que a água pode ser consumida após tratamento convencional e ser destinada à irrigação. 

Dados apresentados pela Renova também indicam que foram recuperados 113 afluentes.

Além disso, o terceiro ano do Programa de Recuperação de Nascentes, ação fundamental para revitalização da bacia hidrográfica do rio Doce, está mobilizando e formando produtores rurais para que eles atuem na recuperação de outras 500 nascentes, além das 1.050 que já estão sendo restauradas nos dois Estados. 

A Fundação disponibilizou ainda R$ 500 milhões para projetos de saneamento para os 39 municípios impactados. Até o fim de julho de 2019, foram enviados 211 pleitos pelos municípios. São José do Goiabal, Rio Casca e São Domingos do Prata, em Minas Gerais; e Colatina, no Espírito Santo, foram os primeiros a receber verbas. Na área de restauração ambiental, serão reflorestados 40 mil hectares de Mata Atlântica na bacia do rio Doce.

Até fevereiro de 2020 serão plantados 800 hectares nos municípios de Governador Valadares, Coimbra, Periquito e Galileia, em Minas Gerais; e Colatina, Marilândia e Pancas, no Espírito Santo. A área equivale a 800 campos de futebol.

A reportagem procurou a prefeitura de Mariana, que ainda não se manifestou sobre os dados da Renova.

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