Por causa do aumento nos atendimentos de pacientes com Covid-19, a situação dos estoques de medicamentos do chamado "kit intubação" é crítica em várias cidades mineiras.

Em Ribeirão das Neves, na Região Metropolitana de Belo Horizonte, a prefeitura informou que o estoque do sedativo Midazolam, um dos principais remédios usados para pacientes em estado grave, está quase zerado e pode acabar ainda nesta sexta-feira (16).

Com alternativa, o município disse que pretende aplicar sedativos de efeitos secundários, ou seja, medicamentos que não fazem parte da rotina no processo de intubação. "Temos um estoque razoável deles - haloperidol injetável, prometazina injetável e diazepam comprimido e injetável - mas como essa é a primeira vez que vamos utilizá-los com a finalidade de sedação, não temos como avaliar, no momento, o tempo de duração do estoque. Mas acreditamos que dure pelo menos 30 dias".

Os bloqueadores neuromusculares também devem durar até o próximo domingo (18) o que pode comprometer o atendimento dos pacientes intubados nas Unidades de Pronto-Atendimento (UPAs) e no Hospital São Judas Tadeu. "Não conseguimos mais nenhum empréstimo, troca ou doação. O tempo de duração real desses medicamentos depende do número de pacientes  a serem assistidos", informou a prefeitura.

Ribeirão das Neves está com 100% de ocupação nas unidades de terapia intensiva para pacientes com a Covid-19 e 79% de leitos de enfermaria. A cidade tem, até o momento, 12.114 infectados pela doença e 376 mortos.

O que diz o governo de Minas

A Secretaria de Estado de Saúde de Minas Gerais (SES-MG) informou que a expectativa é que uma nova remessa de 3 mil ampolas de brometo de rocurônio será disponibilizada para 25 unidades de atendimento a pacientes com Covid-19, direcionadas a hospitais da rede pública que estão com menos de dois dias de cobertura e que não receberam medicamentos na última remessa, em 10/4.

No final de semana, a expectativa também é de que a pasta receba medicamentos do Ministério da Saúde, que chegam ao Brasil, em Guarulhos, na noite desta sexta. "Temos também as compras do estado sendo consolidadas como entrega até final da semana".

A pasta ressalta ainda que o estoque de sedativos utilizados na intubação do paciente de Covid encontra-se em nível não recomendável para o enfrentamento da pandemia.

"As unidades hospitalares, que antes trabalhavam com estoque de 60 dias ou mais, enfrentam dificuldades no abastecimento. O Ministério da Saúde mudou o procedimento para a requisição administrativa desses insumos e não consegue distribuir em tempo hábil para todos os estados. O Governo de Minas tem buscado solucionar o problema, remanejando o estoque atual, para atender os hospitais mais necessitados. Para as instituições que têm aumento abrupto de consumo desses medicamentos, a SES-MG está disponibilizando kits intubação — bloqueadores neuromusculares para manter a sedação de pacientes com Covid-19".

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