Os impactos imediatos do desastre de Brumadinho no ecossistema local podem provocar novos surtos de doenças infecciosas como dengue, febre amarela e esquistossomose. O alerta é feito pela Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz), em estudo realizado após o rompimento da barragem da Mina do Feijão, da Vale, no último dia 25 de janeiro. 

A possibilidade de novos surtos, segundo a Fiocruz, está ligada às condições já preexistentes no município. Brumadinho já tinha registros de três doenças citadas no levantamento e a hipótese é que, agora, o número de casos possa aumentar. 

A principal hipótese é de que, com a interrupção ou redução do abastecimento, a população possa armazenar água de forma inapropriada e, assim, criar um ambiente favorável para a proliferação de mosquitos vetores, no caso da dengue e da febre amarela. 

No caso da esquistossomose - que é transmitida por caramujos - o desequilíbrio do ecossistema, causado pela chegada da lama à bacia do Rio Paraopeba, pode promover uma proliferação desses vetores, aumentando o risco de contaminação da população.

Segundo Mariano Andrade da Silva, membro do Centro de Estudos e Pesquisas em Emergências e Desastres em Saúde (Cepedes) da Fiocruz, outro alerta está na semelhança com a catástrofe de Mariana, ocorrida em 2015, após o rompimento da barragem de Fundão.

"Naquele caso, a população de Barra Longa não tinha nenhum caso registrado de dengue antes de 2015 e, depois, teve 3 mil casos", explica o pesquisador. 

Doenças crônicas 

O estudo destaca, ainda, a dificuldade de acesso a serviços de saúde, o que pode agravar doenças crônicas já existentes além de causar doenças mentais como depressão e ansiedade. Entre os motivos estão o nível de estresse e transtornos pós-traumáticos.

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