Dois seguranças de uma boate no bairro Olhos D’água, região do Barreiro, em Belo Horizonte, foram condenados por matar o fisiculturista Allan Guimarães Pontelo dentro do banheiro do estabelecimento. Pelo crime, a dupla foi condenada a 16 anos de prisão, em regime fechado. Eles ainda podem recorrer da setença, que é primeira instância.

A decisão do júri popular foi conhecida na madrugada desta quarta-feira (26), após 24 horas de julgamento. Além dos condenados, outros dois seguranças também respondem pelo assassinato. Um deveria ter sido julgado nesta semana, mas como o advogado de defesa do réu passou mal, a audiência foi desmembrada e remarcada para 29 de setembro. O quarto acusado também teve o processo desmembrado, e não tem data prevista para julgamento.

Os seguranças sentaram no banco dos réus na última segunda-feira (24). Durante a sessão presidida pela juíza Fabiana Cardoso Gomes Ferreira, os seguranças alegaram inocência. No entanto, o Conselho de Sentença entendeu que os dois foram responsáveis pela morte ao conduzir a vítima para a uma área restrita na boate para uma “revista” à procura de drogas. 

Segundo denúncia do Ministério Público, ao se recusar a passar pelo procedimento, Allan foi espancado violentamente, com socos e chutes, imobilizado e estrangulado até a morte. O laudo de necropsia apontou como causa do óbito “asfixia mecânica por constrição extrínseca do pescoço”, além de diversas lesões no corpo.

Julgamento

Durante o interrogatório, os réus deram versões semelhantes e contaram que "apenas davam suporte aos seguranças, policiais militares a serviço da boate, e que coibiam o uso e venda de entorpecentes na casa noturna". Além disso, disseram que abordaram o fisiculturista no banheiro e o deixaram à disposição dos seguranças depois de imobilizar a vítima, que recebeu voz de prisão de um outro réu supostamente por causa das drogas escondidas pelo corpo. A versão, no entanto, não foi aceita pelos jurados. 

Assassinato

O crime aconteceu na madrugada de 2 de setembro de 2017, em uma boate no bairro Olhos D’Água. Segundo o Ministério Público, Pontelo teria sido abordado por dois seguranças no banheiro da boate após uma denúncia de que estaria traficando drogas. A vítima teria sido levada para uma área restrita e se recusado a ser revistada, sendo depois espancada até a morte.

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