Semáforos sonoros, utilizados para facilitar a travessia de pedestres com deficiência visual em cruzamentos de Belo Horizontes, não estão funcionando. O problema nos equipamentos não se resume à falta de manutenção. Um edital de licitação que previa a instalação de 500 novos aparelhos na cidade foi suspenso em junho e reaberto apenas na semana passada.

Para quem depende dos aparelhos, a situação representa perigo ao andar pelas vias. A equipe de reportagem do Hoje em Dia esteve em alguns locais na capital e constatou que 12 dispositivos não estavam emitindo os alertas que sinalizam ao cego o momento certo para atravessar.

A Savassi, na Centro-Sul, foi a região em que mais problemas foram encontrados. Lá, as falhas foram identificadas em dez semáforos instalados no cruzamento das ruas Fernandes Tourinho e Alagoas com a avenida Getúlio Vargas e na esquina da via com a Contorno. “Está sem funcionar desde a semana passada”, contou o funcionário de uma loja de calçados da região.

No bairro Funcionários, a mesma falha foi identificada no entroncamento das avenidas Cristóvão Colombo e Brasil. Entre os prédios do Circuito Cultural Banco do Brasil (CCBB) e o Edifício Niemeyer, na Praça da Liberdade, um sinal específico aos deficientes visuais também não estava emitindo os sons.

500 semáfotos sonoros serão instalados; licitação para escolher a empresa responsável foi reaberta em 21 de agosto, dois meses após o adiamento

 

Arriscado

Coordenador do Movimento Unificado de Deficientes Visuais (Mudevi), Willian Nascentes lamenta a situação. “Mesmo com o sinal sonoro já é difícil, perigoso atravessar”, diz. 

Para ele, todo equipamento eletrônico é passível de falha, mas os problemas precisam ser resolvidos. “A BHTrans precisa adotar uma maneira de monitorar melhor esses semáforos para que a pane seja identificada e corrigida de maneira ágil”, acrescentou.

Willian Nascentes também ponderou sobre a urgência na instalação de novos dispositivos na capital. “O adiamento da licitação foi prejudicial. Esses 500 semáforos, o quanto antes foram instalados, seriam muito importantes para nos dar mais segurança e autonomia nas travessias”.

“O tema da acessibilidade é transversal. Diz respeito à segurança, aos direitos da pessoa com deficiência, à mobilidade. Por isso, deve ser uma política pública no cerne da cidade. A garantia de que os deficientes visuais possam transitar, com passeios adequados, pisos podotáteis e semáforos sonoros, é uma questão de mínimo ordenamento urbano. Por mais que existam problemas com depredação ou furto do patrimônio, a cidade tem que fazer a manutenção dos dispositivos de forma diuturna, pois as necessidades não podem esperar. O uso de sistemas informatizados, ligados a uma central, por exemplo, ou rondas nos locais com mais crimes podem inibir depredações. O que não pode, de forma alguma, é deixar essas pessoas desamparadas. Não é um favor, é uma obrigação”

(Ângela Carneiro Cunha - arquiteta, urbanista e pesquisadora em Acessibilidade Urbana pela UFMG)

Manutenção

Em nota, a empresa que gerencia o trânsito da metrópole garantiu que uma equipe técnica irá aos locais onde há equipamentos com defeito, para realizar a manutenção.

“Algumas vezes, o problema é de vandalismo. Outras vezes, há necessidade de troca de alguma peça. Importante ressaltar que os equipamentos passam por manutenção rotineiramente”, informou o texto.

Retornos

A BHTrans diz que tem feito a substituição de peças e equipamentos por materiais que têm menor atratividade, como plástico. O órgão destacou os prejuízos causados à sociedade. Em caso da falta de funcionamento do semáforo, a empresa orienta motoristas e pedestres a redobrar a atenção. Além disso, a solicitação de reparo pode ser feita pelo telefone 156 e prefeitura.pbh.gov.br/bhtrans. 

A PM confirma que as áreas citadas possuem “reincidência” nos crimes contra o patrimônio. Para combater os furtos e depredações, a corporação faz patrulhamentos e conta com a ajuda da população. As pessoas podem denunciar a depredação por meio do telefone 190, e do Disque Denúncia, no 181. Já a Polícia Civil informou que as delegacias de área são responsáveis por investigar este tipo de crime, e que todas as ocorrências que chegam à corporação são devidamente apuradas. A Guarda Municipal afirmou que, ciente do problema, tem circulado com viaturas nos pontos mais críticos.

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