As empresas que operam o transporte público de Belo Horizonte lançaram, na manhã desta sexta-feira (23), o aplicativo BHBus +. A plataforma vai permitir que os passageiros façam recargas eletrônicas de passagens nos cartões e acompanhem, em tempo real, as viagens e o período de espera nos terminais. 

No lançamento, as empresas reforçaram a tendência de retirar os cobradores dos coletivos da capital, prática que tem ocorrido com frequência desde o ano passado, conforme já noticiou o Hoje em Dia. Por causa da saída dos agentes de bordo, cerca de 14 mil multas foram aplicadas às empresas, entre janeiro de 2018 e junho deste ano pela BHTrans.

Renaldo Moura, presidente da Transfácil, explicou que foram realizadas pesquisas com os usuários do transporte coletivo por ônibus em BH para diagnosticar as principais queixas. Segundo ele, 193 pontos  foram levantados. As principais reclamações destacadas foram o tempo de duração das viagens e de espera dos coletivos. 
 

Durante a coletiva, Joel Paschoalin (à esquerda) e Renaldo Moura (à direita) reforçaram a tendência de retirar os cobradores dos ônibus de BH


O gestor destacou, ainda, que a criação do app não tem relação com a saída dos cobradores. “A primeira facilidade dele (aplicativo) é o pagamento online, usando cartão de crédito, ou por boleto bancário. Até duas horas a gente se compromete com a entrega dos créditos”, afirmou.

Moura disse, ainda, que no aplicativo, disponível para download gratuito nas plataformas IOS e Android, o usuário poderá também registrar queixas sobre a viagem realizada.

Trocadores

Presidente do Sindicato das Empresas de Transporte de Passageiros de Belo Horizonte (Setra-BH), Joel Paschoalin reforçou que a criação do aplicativo não tem relação com a retirada de trocadores. “A gente acredita que temos que tornar o sistema mais eficiente, baixando outros custos que estão ficando ultrapassados, para investir em tecnologia e qualidade do serviço”, justificou. 

Paschoalin explica que as empresas não são favoráveis à retirada dos cobradores. O cenário, garante ele, só ocorre nas linhas alimentadoras - que fazem a ligação das estações com o bairro - ´por pertencerem ao sistema BRT Move. “Essas linhas não precisam de cobrador e não faz sentido. A estação é justamente para integrar o passageiro e, para isso, ele precisa ter o cartão para não pagar a segunda passagem”.  

Ele também considerou ilegais as multas aplicadas pela prefeitura pela ausência do cobrador. “No nosso entendimento jurídico o noturno é a partir de 18h, porque no próprio regulamento da BHTrans a partir de 18h temos outras atribuições como iluminar o salão, etc. Nessas questões a gente orienta as empresas para que usem o cobrador, mas a gente não tem gestão sobre as empresas”, destacou. 

Apesar do Setra entender que o início do horário noturno é às 18h, a Lei 10.526/2012, em que a PBH se baseia para aplicar as multas, diz que o período só pode ser considerado a partir de 20h30. Antes deste horário, a presença do cobrador é garantida na legislação nos coletivos. 

Reajuste 

Questionado sobre a declaração do prefeito Alexandre Kalil (PSD), de que não haverá reajuste nas tarifas sem a presença do trocador nos ônibus, Joel deu a entender que os empresário vão solicitar um aumento na passagem no final do ano. “O nosso contrato fala da forma paramétrica, então vai depender da inflação. Acredito que a inflação este ano não vai dar um reajuste significativo”, revelou. 

Conforme o empresário, o uso dos cobradores ainda está incluído no valor da tarifa. “É uma questão que não é só minha, é de todos nós. Eu acho que não precisa ser só do caixa da prefeitura, mas precisamos arrumar fontes de recursos financeiros, às vezes usar a criatividade para que subsidie e baixe a tarifa”. avalia. 

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