A cada 24 horas, 579 buracos são tapados nas ruas e avenidas de Belo Horizonte. Em 2019, foram 211.382 serviços feitos, conforme a prefeitura. Neste ano, até fevereiro, pouco mais de 31,4 mil. Em alguns pontos, porém, a espera pela solução do problema é sinônimo de transtorno e prejuízos, que levam nada menos que 102 contribuintes, por dia, a demandar junto ao Executivo uma solução para crateras específicas.

Conserto que não acontece da noite para o dia, diz Daniel Alves, gerente de um supermercado na movimentada avenida Silva Lobo, no Nova Suíça, Oeste da capital. Em frente ao estabelecimento, dois buracos ocupam uma das faixas no sentido bairro Jardim América. Segundo ele, surgiram no início deste mês. 

Alves afirma que, por conta dos gargalos no trânsito, várias pessoas deixaram de fazer compras por lá. “Perdemos cerca de 200 clientes por dia”.

Perto dali, percorrer o cerca de 1,5 quilômetro da rua Oscar Trompowsky, no Gutierrez, é uma prova de obstáculos. No trecho entre Daniel de Carvalho e Martim Francisco, motoristas e motociclistas devem fazer um “malabarismo” para não cair nas crateras da via.

“Se alguém abre a porta do carro parado, pode ser atingido por um veículo que precisa desviar dos buracos”, alerta Felipe Souza, proprietário de uma lavanderia nas imediações.

Qualidade

A quantidade de crateras nas vias de BH é considerável e pode decorrer da forma como o serviço é realizado, afirma o vice-presidente da Sociedade Mineira dos Engenheiros (SME), Luiz Otávio Portela. “Muitas vezes, é feito às pressas, em resposta à população. Porém, não é assim que funciona. O nome “operação tapa-buracos” deveria mudar para “operação remendo”.

O consultor explica que, antes de fazer o trabalho, é necessário saber o que causou o problema e se há comprometimento do que está por baixo do asfalto. É preciso cortar o asfalto, fazer um retângulo e remover o material que está no espaço. 

“O serviço deve ser realizado em tempo seco, senão vai arrebentar novamente. Se estiver chovendo, pode-se jogar brita por cima até, de fato, solucionar o problema”, completa Portela.

Professor da UFMG, o geólogo Bráulio Magalhães Fonseca destaca que os buracos nas pistas são comuns principalmente por conta da chuva intensa, característica no país como um todo, e o tráfego de veículos. “É natural que as vias se deteriorem. É preciso lançar mão de materiais mais duráveis, como o concreto, que é utilizado em uma parte da Via Expressa de Contagem (Grande BH) e na duplicação da BR-381 (região Central do Estado).

Em nota, a PBH informou que o prazo para atender às solicitações de tapa-buracos é de seis dias, mas os trabalhos, geralmente, acontecem em até dois. “A prefeitura esclarece, ainda, que exige rigor na qualidade do asfalto e do trabalho executado, cumprido com as composições, dimensões e temperatura do asfalto, de acordo com as normas vigentes”. 

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