Subiu para cinco o número de mulheres que denunciaram o médium João de Deus em Minas Gerais. Os relatos das possíveis vítimas do religioso foram feitos ao Ministério Público de Minas Gerais (MPMG) e deverão ser encaminhados ao Ministério Público de Goiás (MPGO), onde as investigações estão sendo concentradas.

Além dos dados passados pelo MPMG, a Polícia Civil de Minas Gerais (PCMG) informou que uma denúncia foi feita, nessa segunda-feira (10), em Uberaba, no Triângulo Mineiro. "A PCMG esclarece que o registro foi realizado e que a suposta vítima será ouvida e o expediente encaminhado para Polícia Civil da cidade de Abadiânia", disse, por meio de nota. O número de vítimas, porém, pode ser maior, pois há quem não queira se expor para preservar a família.

Forças-tarefas estão sendo criadas pelo MP goiano e pela Polícia Civil desde que a Rede Globo apresentou depoimentos de outras supostas vítimas. Além dos órgãos de Goiás, promotores de outros estados deverão atuar em conjunto com o intuito de reunir denúncias contra o curandeiro que realiza cirurgias espirituais em Abadiânia (GO). O MPMG acrescentou que as apurações correm em sigilo e que o telefone, em Minas, para denúncias de possíveis vítimas do médium é: (31) 3330-8394.

Na edição desta terça-feira (11), o Hoje em Dia mostrou relatos de mulheres que estiveram com o suspeito. Uma das vítimas, que enviou e-mail para o Ministério Público de Goiás, disse que foi abusada duas vezes pelo homem. “Ele abaixou a minha calça e a dele. Falou que eu poderia colocar o pênis dele onde quisesse. Fui salva porque alguém mexeu na porta. Ele se desesperou”, disse a mulher, hoje com 41 anos. 

Posicionamento

Em nota divulgada no sábado, a Federação Espírita Brasileira afirma que o espiritismo orienta que o serviço espiritual não deva ocorrer isoladamente, apenas com a presença do médium e da pessoa assistida. A assessoria de João de Deus foi procurada, mas não retornou até o fechamento desta edição. À Rede Globo, que veiculou as primeiras denúncias, o advogado do médium negou as acusações.

Em contato com a Agência Brasil, Alberto Toron, que representa João de Deus, informou que seu cliente recebe as denúncias com indignação. O advogado diz que ele se apresentará à Justiça e lembra que a maioria dos atendimentos feitos são abertos e coletivos, diante de um grande número de pessoas.

(*) Com Agência Brasil

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