A Polícia Civil informou que mais três mulheres procuraram a instituição, neste sábado (30), para denunciar, por importunação sexual, um ginecologista do Hospital da Mulher e Maternidade Santa Fé, no bairro Horto, na região Leste de Belo Horizonte. Com isso, o número de supostas vítimas subiu para oito. 

O médico, de 74 anos, alega inocência. Ele chegou a ser preso, mas deixou a Penitenciária Nelson Hungria, em Contagem, na Região Metropolitana de BH, na sexta-feira (29), após pagar fiança. A defesa declarou, na ocasião, que não havia elementos suficientes para manter o ginecologista detido.

As acusações contra o médico vieram à tona depois que uma jovem, de 22 anos, contou que foi assediada pelo profissional. O ginecologista teria dito: "Ei loirinha, deu química" e "toda loirinha gosta de um negão", fazendo referência ao namorado dela, que estava no local. 

Após iniciar a consulta, o idoso teria feito um exame de toque na vítima, momento em que chegou a dizer "que periquitinha quente". Depois disso, ela teria se levantado. O ginecologista, em seguida, teria segurado ela pelo braço, tentando beijá-la. O suspeito pediu então que a vítima ligasse para marcar uma nova consulta, completando que só ele cuidaria dela.

 

Inquérito

Depois da primeira denúncia, que gerou o primeiro inquérito, outras quatro vítima procuraram a delegacia na sexta-feira e mais duas mulheres neste sábado. Os novos depoimentos devem constar no segundo inquérito que foi aberto contra o médico.

De acordo com a Polícia Civil, o profissional já foi indiciado pelo primeiro crime. "O caso agora encontra-se sob tutela do poder judiciário", diz a nota divulgada pela Delegacia Especializada de Atendimento à Mulher. O crime de importunação sexual tem pena prevista de 1 a 5 anos de reclusão.

 

Suspensão

Por nota, o Hospital da Mulher e Maternidade Santa Fé informou que afastou o médico das atividades imediatamente após tomar conhecimento das denúncias. "Com o desdobramento legal do caso até o momento, o hospital suspendeu por tempo indeterminado todas as atividades do profissional (consulta, plantão e cirurgias)", diz o texto. 

Ainda conforme o hospital, se as denúncias ficarem comprovadas, a instituição cumprirá o que determina o regimento interno, que pode levar à expulsão definitiva do médico dos quadros do hospital. "Além disso, ato administrativo da comissão de ética enviará relato ao Conselho Regional de Medicina (CRM-MG) para as medidas cabíveis no âmbito profissional. Ressaltamos que o hospital não prejulgará o profissional, tendo seu afastamento até o momento caráter preventivo", completa. 

Por fim, o hospital disse que reitera o compromisso "escrito em nosso nome", de total respeito e cuidado à mulher. 

 

Leia mais:
Após jovem denunciar ginecologista por importunação sexual, outras quatro mulheres procuram a PC