A cada dia, pelo menos seis pessoas buscam por socorro no Hospital João XXIII, na capital, após sofrer queimaduras graves. Ferimentos provocados por óleo e água fervente, álcool e até gasolina são comuns em mais da metade dos casos. O alerta contra os acidentes ganha mais reforço nesta época do ano.

queimadura criança
Casos envolvendo crianças de 2 a 5 anos são os mais comuns no HPS

De janeiro a outubro, 1,8 mil pacientes deram entrada na unidade de saúde, referência nesses atendimentos no Estado. Porém, é justamente durante as confraternizações – Natal e Réveillon – e férias escolares que as ocorrências se concentram. Pais e responsáveis devem redobrar a atenção com as crianças.

Casos envolvendo meninos e meninas de 2 a 5 anos são os mais frequentes, destaca a coordenadora da Unidade de Queimados do João XXIII, Kelly Araújo. Água fervente é o principal perigo. “Como não têm muita noção do risco, mexem na panela que está no fogão e o líquido acaba virando em cima delas. Costuma ser grave, é o que chamamos de escaldadura”, diz a cirurgiã plástica.

Cuidado

Prevenção é palavra de ordem, destaca o tenente Hugo Takahashi, do Corpo de Bombeiros. Dependendo do grau dos ferimentos, a pessoa pode morrer. Em grande parte dos acidentes, as cicatrizes deixadas marcam as crianças para o resto da vida.

“Elas são naturalmente curiosas e, passando mais tempo em casa, acabam se interessando por produtos químicos, ferro de passar”, destaca o militar, que também reforçou o perigo de utensílios no fogão. “É importante que os pais se cerquem de cuidados”, acrescenta.

Recomendações

Em caso de acidentes, a médica Kelly Araújo orienta não passar nada no ferimento. No hospital, o profissional de saúde terá que retirar a substância para tratar a lesão. O procedimento, no entanto, pode causar muita dor.

Outro alerta é para a formação de bolhas. “Não é bom estourar, porque essa pele protege o que está por baixo e, ao furá-la, aumenta também o risco de infecção”, explica o tenente Takahashi.

Ele também orienta retirar anéis, pulseiras ou relógios, já que a superfície atingida tende a inchar. Os feridos graves devem ser encaminhados imediatamente a uma unidade de saúde. Uma forma de aliviar a dor é enrolar a área machucada com um lençol úmido.

Álcool mais comum

Nas confraternizações de fim de ano mais pessoas recorrem ao álcool para acender churrasqueiras. Porém, o manuseio incorreto pode provocar explosões. Foi o que aconteceu com autônoma Thaís Camilo, de 22 anos. Internada no João XXIII desde 19 de novembro e sem previsão de alta, a jovem teve 45% do corpo queimado enquanto preparava uma carne. 

“Ela utilizou o de posto de combustível (etanol). Achou que o fogo tinha apagado e jogou mais. A chapa explodiu. Ela ficou em chamas. Peguei um tapete para enrolá-la”, lembra o marido de Thaís, Sheivid Oliveira.

Uma sobrinha do casal, de 5 anos, também ficou ferida. A menina teve 7% do corpo atingido e também recebe cuidados no HPS.

De acordo com a coordenadora da unidade de queimados do hospital, a alta do preço do gás de cozinha tem levado muitas pessoas a usarem esse tipo de álcool para cozinhar. “O fogareiro, por exemplo, está mais comum. Mas a manipulação desse produto nesse ambiente é um perigo porque aumenta o risco e isso não vai atingir somente quem está acendendo o fogão, a churrasqueira ou outro equipamento, mas a todos que estão por perto”, afirma Kelly Araújo.

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