Supermercados e padarias não funcionarão no próximo domingo (28) em Belo Horizonte. A decisão da prefeitura foi informada aos representantes da categoria nesta terça-feira (23). Pelas redes sociais, o Mercado Central também informou que ficará fechado no mesmo dia.

A nova restrição faz parte de medidas adotadas para tentar frear o avanço da Covid-19 na cidade, segundo o presidente do Sindicato e Associação Mineira da Indústria de Panificação, Vinícius Dantas.

“Fomos comunicados pela PBH de que, neste domingo, padarias e supermercados estarão fechados, como medida de combate ao novo coronavírus, que está assustando toda a sociedade. Existe um comitê que tem a capacidade para debater sobre esse combate e nós, como entidade, respeitamos a decisão como medida necessária e momentânea”, disse Dantas, em uma reação diferente de outros respresentantes de segmentos do comércio às restrições de funcionamento.

Cliente morto não compra

"Melhor ter o cliente vivo, cliente morto não compra", alertou Dantas. De acordo com ele, a frase é forte de propósito porque, aparentemente, muitos associados à Amipão reclamaram que a entidade 'aceitou' o decreto sem reclamar.

"Muita gente, dada a dificuldade economica, se opõe [ao decreto], achando que a gente deveria ter discordado. As pessoas estão esquecendo que estamos perdendo muita gente e isso é uma perda para qualquer negócio", afirmou.

Conforme o presidente da Amipão, a queda de consumo vai acontecer vertiginosamente se a cidade continuar perdendo pessoas. "É preciso chocar um pouco os nossos segmentos. Não discutimos o decreto porque decreto não se discute. É uma medida que o Executivo está tomando para melhorar os números", finalizou.

Proximos passos

Inicialmente, a medida será válida apenas para este domingo. “Para os próximos domingo a situação será discutida durante a semana, em cima dos números apresentados pelo comitê”, finalizou.

Supermercados e padarias são considerados como serviço essencial e podem funcionar na capital mineira mesmo durante a Onda Roxa, fase mais restritiva do programa estadual Minas Consciente e que limita a circulação de pessoas com toque de recolher entre 20h e 5h. O fechamento desses serviços no domingo já havia sido avaliado como estratégia em julho do ano passado, quando a capital também vivia um momento crítico. Na ocasião, o prefeito Alexandre Kalil cogitou a ideia de que esses estabelecimentos fossem proibidos de abrir as portas aos domingos.

O Hoje em Dia entrou em contato com a PBH e solicitou mais informações sobre a medida, mas até a publicação da reportagem não obteve retorno. 

Covid-19 em BH

Desde a última sexta-feira (19), não há mais vagas nas unidades de terapias intensivas nos hospitais particulares da capita. Na segunda (22), o estrangulamento chegou ao Sistema Único de Saúde (SUS). Ao todo, 59 pessoas aguardam na fila por um leito, segundo o boletim epidemiológico da PBH. A taxa de ocupação das UTIs - públicas e privadas - chegou a 107,3%.

A utilização das enfermarias segue em alerta máximo, mas apresentou redução nesta segunda, caindo de 89,7% na sexta para 87,9% agora. Já o número médio de transmissão por infectado voltou à faixa amarela pela primeira vez em 11 dias, chegando a 1,17. Desta forma, 100 pessoas contaminadas com o coronavírus transmitem, em média, para outras 117.

De acordo com o boletim, a capital mineira já contabiliza 132.201 casos da Covid desde o início da pandemia, há um ano. Dos infectados, 3.020 perderam a vida por complicações da doença.

(*Com Anderson Rocha)

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