Em mais uma tentativa de reduzir a circulação de pessoas na capital em meio à pandemia, o Executivo de Belo Horizonte pode ampliar a restrição ao comércio na cidade. A ideia é que estabelecimentos como supermercados sejam proibidos de abrir as portas aos domingos.

O anúncio foi feito ontem pelo prefeito Alexandre Kalil, durante entrevista exclusiva ao Hoje em Dia

“Nós vamos fechar tudo (no domingo). Tudo, tudo, não, porque não pode fechar hospital e farmácia. Vamos tirar, por exemplo, supermercados, quem vende comida. Isso está sendo estudado”, afirmou.

Não há prazo para uma decisão sobre o assunto. Porém, Kalil destacou que a metrópole vive uma guerra. “Cada dia tem um decreto, cada dia tem uma coisa nova. Nós temos que cair o número de doentes, achatar a curva. O que for preciso, vamos fazer”.

Procurada para comentar o assunto, a Associação Mineira de Supermercados (Amis) não retornou até o fechamento desta edição. Já o presidente da entidade que representa as padarias, a Amipão, Vinícius Dantas, prefere aguardar uma decisão concreta para se manifestar.

Temor

Presidente da Associação Brasileira de Bares e Restaurantes em Minas (Abrasel-MG), Ricardo Rodrigues teme que a ampliação da restrição ao comércio leve mais empresas à falência.

Especialistas acreditam que a velocidade de propagação do coronavírus deve reduzir com menos pessoas nas ruas. Hoje, BH contabiliza 9.361 casos confirmados de Covid-19 e 201 óbitos. A taxa de ocupação de leitos exclusivos de UTI está em 92%.

O gestor destaca ser tradição do mineiro comer fora no fim de semana. “Ainda que não possamos receber público, muitos se adequaram ao delivery e no sistema de ‘pague e leve’, e o domingo é o dia que mais vendem. Se tiverem que fechar, mais pontos comerciais vão morrer. Até o momento, 30% já encerraram as atividades”.

Adesão

Reportagem publicada ontem pelo Hoje em Dia mostrou que, duas semanas após a prefeitura recuar na flexibilização da quarentena em BH, o isolamento social permanece o mesmo (47%) ou até caiu (46%, como em 6/7) em relação ao período em que lojas de serviços não essenciais estavam autorizadas a funcionar. Domingo é o único dia que o índice atinge 50%.

Mesmo assim, de acordo com especialistas, quanto mais se restringir a circulação nas ruas, mais será possível conter o avanço do novo coronavírus. 
“Temos que fazer de tudo para que as pessoas fiquem em casa. Se não, poderemos entrar numa situação de extremo risco. Poderemos chegar a um colapso na saúde se as pessoas não atenderem ao isolamento social”, explicou o infectologista Unaí Tupinambás, um dos integrantes do Comitê de Enfrentamento à Covid-19 na capital.

Nesse sentido, a PBH mudou o horário de atendimento do transporte coletivo aos domingos e feriados. Agora, nesses dias, os ônibus vão realizar viagens das 6h às 9h59 e de 16h às 19h59. 

A reivindicação do sindicato que representa as empresas que operam o sistema, no entanto, é deixar de ofertar o serviço nos fins de semana. 

(*) Com Cinthya Oliveira

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