Um homem preso temporariamente no Rio Grande do Sul, suspeito de furtar centenas de documentos históricos de Minas Gerais, frequentou o Arquivo Público Mineiro (APM) por dois anos. Investigação do Ministério Público (MPMG), denominada "Páginas Históricas", já conseguiu recuperar 280 editais, contratos e cartas com datas até do século XVIII. Destes documentos, 70 são de Minas. Detalhes foram dados em coletiva de imprensa na tarde desta sexta-feira (26) na sede do APM.

As investigações começaram em 2016 depois que funcionários do espaço notaram a ausência de documentos importantes, segundo a promotora Giselle Ribeiro, do MPMG. Ainda naquele ano, a investigação foi iniciada. "Não eram furtos de um só dia e, sim, desaparecimentos graduais", explicou. De acordo com ela, durante o processo, foi percebido que muitas peças eram vendidas em leilões virtuais.

"Com essas informações, chegamos a vendedores e compradores. Desde então, foram nove alvos, sendo eles em São Paulo, Belo Horizonte, Rio de Janeiro, Distrito Federal e Rio Grande do Sul", afirmou a promotora. Outros mandados serão cumpridos em breve, mas ela não informou mais detalhes sobre quando serão e quantos documentos ainda estão sumidos para não atrapalhar as investigações.

Recomendações

O secretário de Estado de Cultura Marcelo Matte esteve na entrega simbólica dos documentos ao APM. Ele também recebeu as recomendações feitas pelo MPMG, após visitas técnicas no espaço, para aprimorar a segurança do vasto acervo mineiro. "Através do Fundo Estadual de Cultura, ou por meio Lei Estadual de Incentivo, vamos adotar todas as medidas de segurança", garantiu.

Conforme o chefe da pasta, Scanners, câmeras de vigilância e controle de acesso deverão ser reforçados. "É bom lembrar que o roubo foi descoberto aqui, de uma quadrilha que fazia furtos no Brasil inteiro. Estamos muito felizes com o trabalho feito, mas ainda temos muitos documentos a serem recuperados, como alguns assinados por Tiradentes", lamentou.

Matte ainda fez um apelo aos que compraram documentos históricos pela internet. "Devolvam voluntariamente para que se evitem ações judiciais. É inestimável calcular o valor em dinheiro empenhado nestes leilões. Mas para o país, não tem preço", conclui. 

Apelo

Com o intuito de localizar outros arquivos desaparecidos do acervo do APM, um site foi criado dentro da página do MPMG. Segundo a promotora Giselle, a intenção é que compradores possam entregar os materiais voluntariamente. "Aquele que subtrai pode ser processado por furto. O que compra, por receptação. Mas as pessoas que entregam, comprovada a boa fé, podem não ser processadas", alerta. O site para consultas já está disponível no endereço patrimoniocultural.blog.br.

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