A taxa de ocupação de leitos de UTI em Belo Horizonte para pacientes em tratamento da Covid-19 saltou de 87% para 91% em três dias. A informação foi divulgada nesta segunda-feira (6) no boletim epidemiológico da Secretaria Municipal de Saúde (SMS).

Esta é a maior taxa de ocupação desde os primeiros casos da doença na capital mineira, em março. Segundo os dados da SMS, dos 345 leitos para Covid-19, há apenas cerca de 30 disponíveis. 

O índice subiu mesmo com a abertura de 10 novos leitos de UTI para tratamento de Covid-19 no sistema público de saúde de BH no fim de semana. No boletim anterior, divulgado na sexta-feira (3), a taxa de ocupação era de 87% para 335 leitos. Desde 21 de junho, os índices estão acima dos 80%, o que é considerado pelo comitê de enfrentamento à doença como “zona vermelha”.

A situação alarmante pode ser vista em alguns hospitais da capital mineira. A Santa Casa de Belo Horizonte, por exemplo, não tem mais vagas para atender pacientes graves com suspeita ou diagnóstico confirmado da Covid-19. No último sábado (4), a unidade de saúde atingiu a lotação máxima com 100% dos leitos de UTIs destinados para vítimas com síndrome respiratória ocupados. 

Sobre os leitos de terapia intensiva para cobrir todas as enfermidades em hospitais públicos e filantrópicos, via Sistema Único de Saúde em Belo Horizonte, a cidade conta atualmente com um total de 1.020 unidades, e a taxa de ocupação é de 85%.

De acordo com SMS, 177 pessoas morreram por Covid-19 em Belo Horizonte e 8.273 casos foram registrados.

Lockdown

O Conselho Municipal de Saúde (CMSBH) recomendou, na sexta-feira, que Belo Horizonte decrete o lockdown imediatamente. O bloqueio total, segundo o órgão, visa a evitar o colapso no sistema público. Um ofício foi enviado ao prefeito Alexandre Kalil (PSD) e ao secretário de Saúde de BH, Jackson Machado.

No documento, os conselheiros lembram que os leitos de enfermaria e UTIs estão no nível vermelho de ocupação. O temor é que, nos próximos dias, falte estrutura física para atender pacientes infectados com o novo coronavírus.

A Prefeitura de Belo Horizonte recebeu a sugestão do Conselho Municipal e afirmou que acompanha três indicadores fundamentais para definir os passos do plano de reabertura gradual do comércio: a taxa de ocupação de leitos de UTI Covid, de enfermaria e o índice de transmissão.

Hospitais privados

O socorro, na tentativa de aliviar o sistema público de saúde, poderá vir da rede particular. Na semana passada, em entrevista à Rádio Itatiaia, Alexandre Kalil informou que já negocia com hospitais privados a abertura de novos leitos de Covid – tanto UTI quanto enfermaria –  após o esgotamento na rede pública. Os valores que seriam investidos não foram divulgados.