A onda de calor e a cortina de fumaça que encobriram Belo Horizonte na noite dessa quarta-feira (18) fizeram com que a população procurasse atendimento médico devido ao tempo seco. Nariz sangrando, indisposição, febre e dor de barriga são alguns dos sintomas que levaram pais ao Hospital Infantil João Paulo II, no Santa Efigênia, região Leste.

O pequeno Davi Torres, de 3 anos, costuma ser bem agitado, segundo a mãe, a degustadora Thaynara Torres, de 26. Mas, desde que o tempo começou a esquentar na capital, a criança não come direito e tem ficado amuada. "Ele acorda a noite inteira por conta do calor, chora, o intestino desarranja todo. Já são quatro dias de febre, aí, ontem, com aquela fumaça na cidade toda acho que piorou. Viemos ver o que é", diz.

A cidade atingiu o menor nível de umidade do ar, com 12%, na tarde de quarta. Com o tempo seco, o nariz de Natally de Andrade, de 5 anos, não para de sangrar. Ela foi levada pela bisavó Ester Lemos, de 71, ao hospital para consulta com um hematologista. "Parece que as plaquetas estão baixas, mas alguns médicos já disseram que é por conta do calor e agora apareceram umas manchas roxas, tipo hematomas, na pele dela”, conta Ester. Para amenizar os efeitos da secura, Natally está dormindo com uma bacia de água no quarto.

Os sintomas também atingem os adultos. A professora Flávia Campos, de 32, estava com enxaqueca desde que as temperaturas começaram a aumentar. As dores na cabeça pioraram nos últimos dias, segundo ela, em decorrência do calor.

"Ficou muito mais forte, não estou dando conta e tenho quase certeza que está relacionado (ao calor)", afirma. Ela veio buscar ajuda da Unidade de Pronto Atendimento (UPA) Centro-Sul.

Quando procurar o médico?

De acordo com Cassio Ibiapina, vice-presidente da Sociedade Mineira de Pediatria, o surgimento de indisposições, dores de barriga e até sangramentos no nariz não indica, necessariamente, que a criança esteja com alguma doença bacteriana ou virótica. "É mais um mal estar pelo clima, mesmo", disse.

Por isso, uma forma de amenizar essa situação é reforçar a hidratação, com água e sucos, incluindo a mucosa do nariz, que sofre mais com o tempo seco e pode receber soro fisiológico. No entanto, se esse esforço não surtir efeito e a criança apresentar febre, aumento de prostração e piora no estado geral é hora de procurar um médico. 

"O tempo seco torna mais frequentes todas as doenças respiratórias. Nesse período, nosso nariz, que funciona como um filtro contra vírus e bactérias, não trabalha bem e abre entrada para problemas. Por isso, a hidratação é tão necessária. Adultos e crianças, principalmente os menores de dois anos e os maiores de 60, devem beber água não só quando têm sede", explicou.

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