O homem apontado como o estuprador da própria sobrinha, uma criança de 10 anos, foi preso na Região Metropolitana de Belo Horizonte (RMBH), na madrugada desta terça-feira (18). Por causa da violência sexual, a menina engravidou e fez um aborto. A interrupção da gestação gerou uma série de discussões no país.

Desde que o crime foi descoberto, o suspeito de 33 anos estava foragido e sendo procurado em todo o Brasil. Ele foi capturado em Betim, após trabalho de inteligência da Polícia Civil do Espírito Santo, estado em que a menina mora e foi violentada. 

"A equipe da Polícia Civil de São Mateus confirmou a prisão do suspeito de estupro da menina de 10 anos, realizada na madrugada dessa terça-feira, na região Metropolitana de Belo Horizonte, em Minas Gerais", confirmou a corporação capixaba.

Depois da prisão, o homem foi levado para o Espírito Santo, onde permanecerá preso à disposição da Justiça. O inquérito que investiga o abuso foi instaurado na Delegacia Especializada de Atendimento à Mulher (Deam) de São Mateus, e concluído na última quinta-feira (13).

O suspeito, que teria começado a estuprar a vítima quando ela tinha apenas 6 anos, foi indiciado por ameaça e estupro de vulnerável, "ambos praticados de forma continuada", detalhou a polícia.

Todas as informações sobre a prisão serão repassadas ao longo dia, durante uma coletiva que ainda não tem horário para acontecer. Pelas redes sociais, o governador do Espírito Santo, Renato Casagrande, se manifestou sobre a prisão. "Que sirva de lição para quem insiste em praticar um crime brutal, cruel e inaceitável dessa natureza", declarou.

 

Abuso e aborto

O caso tomou conta dos noticiários nos últimos dias. Além do crime chocante, o fato da Justiça autorizar a interrupção da gravidez, que era de alto risco - tanto para a criança quanto para o bebê - também gerou discussão.

O procedimento para interrupção da gravidez ocorreu na segunda-feira (17), em um hospital de referência em Pernambuco. Ela estava na unidade desde domingo (16). A Secretaria de Saúde de Pernambuco informou, em nota, que "todos os parâmetros legais estão sendo rigidamente seguidos".

A gravidez veio à tona em 7 de agosto, depois que a menina deu entrada no Hospital Roberto Silvares, em São Mateus, se sentindo mal. Enfermeiros perceberam que a garota estava com um volume na barriga, pediram exames e detectaram que ela estava grávida de aproximadamente 3 meses.

Médicos da unidade teriam dito que a criança relatou ser estuprada pelo próprio tio desde os 6 anos e que não o denunciou porque era ameaçada. 

Protestos

Após a revelação, manifestantes ligados a religiões e contrários ao procedimento realizaram protesto no domingo, do lado de fora da unidade em Recife. Eles tentaram impedir que o diretor do hospital entrasse no prédio e chegaram a chamar o médico de "assassino". Houve tumulto, com um grupo tentando invadir o local e a Polícia Militar foi acionada. Houve também um ato em apoio ao procedimento e defendendo o direito da criança com a presença de mulheres.

Diante da polêmica em torno do aborto, o arcebispo metropolitano de BH e presidente da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB), Dom Walmor Oliveira de Azevedo, se manifestou. O religioso lamentou o estupro e também o procedimento que interrompeu a gravidez. "Dois crimes hediondos", considerou. Para Azevedo, teria sido possível preservar as duas vidas.

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