A retomada da greve dos motoristas de ônibus em Belo Horizonte nesta quinta-feira (2) já provoca reflexos no trânsito. Nas primeiras horas do dia, é possível perceber a menor demanda de coletivos, assim como maior tempo de espera dos passageiros nos pontos, deixando os locais lotados. 

Conforme determinação do Terceiro Tribunal Regional do Trabalho (TRT-3), 60% da frota deve circular em BH nesta retomada da paralisação. Para atender a população, a CBTU ampliou a operação do metrô na capital, com 7 a 10 minutos de intervalo entre os trens. Agentes da BHTrans estarão acompanhando a movimentação e ajudando na fiscalização do número mínimo de viagens determinado para os ônibus.

A estudante Marina Ferreira, de 17 anos, conta que pode se atrasar mais uma vez por conta da falta de coletivos. "Da última vez, só não perdi a aula porque consegui um transporte por aplicativo. Fiquei sabendo que a greve voltaria hoje, por isso cheguei mais cedo no ponto exatamente para evitar atraso", explica. 

Após mais de 30 minutos esperando e sem sinal de que a situação poderia melhorar, a estudante mais uma vez deixou o ponto de embarque e vai buscar uma alternativa. "Vou ver com meus pais agora, se consigo uma carona, ou então vou tentar de novo pegar um carro por aplicativo", lamenta.

Na avenida Cristiano Machado, altura do bairro Cidade Nova, região Nordeste de BH, o trânsito começou a ficar carregado antes das 7h. Das mais de dez linhas disponíveis em um ponto de embarque, menos da metade está disponível, e mesmo assim, em intervalos maiores que o normal.

Nos corredores do Move, a situação é parecida. A única diferença está nas pistas, mais vazias que o normal. Em um intervalo de aproximadamente 15 minutos, a reportagem do Hoje em Dia contou três linhas ativas na Cristiano Machado e duas do Move.

Até o momento, segundo as autoridades de trânsito da capital, não foram registradas ocorrências ligadas às paralisação dos motoristas.

Negociação

O Sindicato dos Trabalhadores do Transporte Rodoviário de Belo Horizonte (STTR-BH) rejeitou, na quarta-feira (1º), a proposta de reajuste salarial e de benefícios enviada pelo Sindicato das Empresas de Transporte Público (Setra-BH). 

De acordo com o STTR, foi apresentado um reajuste linear de 9% no salário e um aumento no pagamento adicional de função, que sairia de 10% para 20%. A categoria ainda pedia o retorno do pagamento do ticket alimentação durante as férias e um intervalo máximo de 30 minutos durante a jornada, que não foram ofertados.

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