Servidores da BHTrans realizam manifestação em frente à Câmara Municipal de Belo Horizonte. No local, acontece mais uma reunião da Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) que investiga irregularidades na empresa. Nesta quarta-feira (28), o presidente do Sindicato dos Trabalhadores em Empresas de Assessoramento, Pesquisa, Perícias, Informações e Congêneres de Minas Gerais (Sintappi-MG), Emanuel Bonfante, presta depoimento.

De acordo com a diretora regional do Sintappi-MG, Renata Moreira Ferreira, servidora há 21 anos, o protesto é contra a extinção da BHTrans, pela melhoria da gestão e em apoio ao dirigente Bonfante. "Esperamos que seja um espaço onde ele possa esclarecer que o acontece na BHTrans em termos de gestão não tem participação dos trabalhadores", defendeu.

A servidora também destacou que não houve diálogo do executivo municipal com os sindicatos na redação do projeto de lei que extingue a empresa. Segundo ela, os trabalhadores estão muito preocupados. "Estamos aqui para protestar contra essa arbitrariedade porque, em plena pademia, falar em desemprego é uma coisa que assusta todos nós", desabafou.

Os manifestantes estavam com faixas e cartazes. Eles foram impedidos de entrar na Casa, devido às restrições impostas pela pandemia de Covid-19.

A reportagem entrou em contato com a Prefeitura de Belo Horizonte a respeito das reivindicações feitas pelos servidores e aguarda um posicionamento.

Rumos da CPI

Nesta quarta, o empresário do setor de transportes Roberto José de Carvalho prestaria depoimento à comissão. Entretanto, a oitiva foi cancelada pela segunda vez, após decisão liminar do Superior Tribunal de Justiça (STJ), que concedeu ao intimado o direito de não comparecer.

O vereador Gabriel (sem partido), que preside os trabalhos da CPI e assina a convocação do empresário, frisou que "respeita o Estado Democrático de Direito e as decisões do Poder Judiciário, ainda que delas discorde" e informou que a Procuradoria da Câmara Municipal de Belo Horizonte vai tomar medidas para que a Casa se manifeste junto ao STF.

A comissão vai aguardar a decisão de mérito do órgão para, se for o caso, agendar nova data para o depoimento de Roberto José de Carvalho. Desde o dia 7, quando o empresário ficou em silêncio diante de 95 perguntas em oitiva na Câmara sobre o transporte de BH, a CPI tenta reconvocá-lo. No último dia 12, uma outra liminar garantiu a ausência do gestor, que havia sido intimado para depor no dia seguinte. 

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