Pesquisadores da UFMG desenvolveram uma forma mais rápida e barata de identificar a presença das variantes de coronavírus mais comuns, incluindo a Delta, que ainda não foi detectada em Minas. Essa cepa, que se originou na Índia, preocupa porque, embora os imunizantes contra a Covid-19 sejam eficazes na diminuição de infecções com evolução para casos graves, ela é mais transmissível, o que é danoso com a cobertura vacinal da população ainda incompleta no país.

De acordo com Renan Pedra, coordenador do Laboratório de Biologia Integrativa do Instituto de Ciências Biológicas (ICB) da UFMG, os estudos de caracterização de variantes do Sars-CoV-2 tiveram início em abril do ano passado, em método padrão-ouro, mas que requer mais tempo para identificação e um custo maior de execução. Na prática, o método permite descobrir qual variação do vírus está presente em uma amostra positiva para a Covid-19.

Em janeiro deste ano, no entanto, o grupo desenvolveu uma forma mais rápida e econômica de localizar variantes, baixando o tempo de identificação de três semanas para três horas, e o custo de R$ 600 por amostra para R$ 60. A estratégia é mais limitada, mas oferece resultados imediatos. É “limitada” porque, diferentemente da técnica padrão-ouro, ela não consegue rastrear variantes novas - e sim apontar se, dentre as já anotadas em laboratório, há a presença de alguma delas na amostra em questão. As cepas atualmente detectadas são a alfa (B.1.1.7, do Reino Unido), a zeta (P2, do Rio de Janeiro) e a gama (P1, de Manaus).

A boa notícia é que, recentemente, o grupo coordenado por Renan incluiu a delta indiana na lista de variantes detectáveis no método mais econômico e rápido. Com isso, assim que ela chegar a Minas, será possível auxiliar o poder público na tomada de decisão com agilidade. Como explica o especialista, o laboratório de diagnóstico da Prefeitura de Belo Horizonte envia amostras positivas de coronavírus (coletadas via swab nasal) e a UFMG consegue retornar com o resultado à administração municipal. 

“Neste mês, nós passamos a fazer os estudos semanalmente com a prefeitura, para dar uma resposta mais rápida, com a possibilidade de uso da informação na tomada de decisão. Como a gente recebe na terça e devolve na sexta, há a chance da pessoa ser contatada, descobrir onde ela passou, com quem teve contato, se está hospitalizada. Ou seja, possibilita usar a informação em uma janela de tempo em que ainda permite alguma ação”, explicou.

Delta é mais transmissível

Renan explica ainda que a variante Delta preocupa. Ela é mais transmissível e, embora estudos feitos pelo serviço inglês de saúde tenham mostrado que as vacinas conseguem evitar o desenvolvimento de quadros mais graves também dessa cepa, ainda assim há aumento do número de casos, com pessoas se contaminando e transmitindo o vírus. No país europeu já se discute a chegada de uma terceira onda.

“Na Inglaterra, com cobertura vacinal maior do que a nossa, e pandemia relativamente bem controlada, com liberação para circulação em ambientes sem uso de máscaras, constatou-se um aumento do número de casos nas últimas seis semanas. Entre eles, 90% eram Delta. E isso ocorreu em uma população vacinada. A Delta conseguiu chegar e infectar muita gente, gente suficiente para ter uma nova onda”, explicou.

Apesar disso, o alívio é que o número de mortes é pequeno por lá. “A vacina está segurando as formas graves. O problema é que nós não temos essa cobertura vacinal avançada. Se a Delta entra, ela vai circular em um momento que a gente acreditava estar reduzindo o número de casos. Poderia ser um fator para iniciar uma terceira onda aqui”, disse.

No Brasil, segundo dados mais recentes da Secretaria de Vigilância em Saúde, do Ministério da Saúde, divulgados nessa quarta-feira (21), já são 135 casos da variante delta no país.

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