A mineradora Vale divulgou neste domingo (28) que precisou paralisar de forma preventiva as obras de alteamento que aconteciam na barragem Itabiruçu, em Itabira, na região Central de Minas Gerais. A medida, segundo nota divulgada pela empresa, teria sido tomada "atendendo à orientação do projetista do empreendimento". Entretanto, a barragem de 220 milhões de metros cúbicos de rejeitos de minério - 18 vezes maior que a estrutura que se rompeu em janeiro na cidade de Brumadinho, na Grande BH - não teria sofrido alteração nos índices de segurança e estabilidade. 

A paralisação aconteceu na tarde de sábado (27), sendo que a recomendação do responsável pelas obras, chamada de "medida de segurança preventiva" pela Vale na nota, "foi dada após a identificação de alterações decorrentes de assentamentos diferenciais no terreno, efeitos passíveis de acontecer durante este tipo de obra". 

A empresa afirma ainda ter relatado aos órgãos competentes, que já fizeram uma vistoria no local. Além disso, estudos mais aprofundados são produzidos pela mineradora e, se necessário, "medidas corretivas serão tomadas". 

"Importante ressaltar que não há, portanto, qualquer alteração nos índices de segurança e estabilidade da barragem Itabiruçu. Cabe ressaltar que a barragem é construída pelo método a jusante, considerado o mais seguro. A Vale realiza o monitoramento integral da estrutura, que teve sua Declaração de Condição de Estabilidade (DCE) renovada em 30 de março deste ano", conclui o texto. 

Procurado, o tenente-coronel Flávio Godinho, superintendente da Coordenadoria Estadual de Defesa Civil (Cedec), disse que não se manifestaria sobre a paralisação, uma vez que não há ações diretas do órgão neste caso. "Não houve alteração no nível de segurança da citada barragem", completou o porta-voz. 

Tensão 

A barragem de Itabiruçu está entre as seis barragens que seriam alvo de um simulado no último dia 29 de junho, porém, o procedimento foi adiado e ainda não aconteceu. O treinamento envolveria cerca de 10% da população de Itabira, residentes em cinco mil imóveis de 11 bairros que estão nas zonas de Autossalvamento (ZAS) destas estruturas. 

De acordo com o tenente-coronel Flávio Godinho, da Defesa Civil Estadual, o simulado do município está marcado para acontecer no dia 17 de agosto. "Eu estarei na cidade dia 14 do mês que vem para finalizar os planejamentos", completou. 

A reportagem do Hoje em Dia conversou um morador da cidade, que disse viver logo abaixo da barragem que teve as obras paralisadas. "Aqui são 33 barragens em volta da gente. Eles estão aumentando ainda mais essa barragem, a diocese aqui da cidade até já fez um protesto. Eles falam que está tudo normal, mas se tivesse eles não teriam tirado todos os trabalhadores de lá", argumentou. 

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