A mineradora Vale anunciou, nesta quinta-feira (8), que vai liberar R$ 450 milhões para a realização de obras nas bacias do Paraopeba e do Rio das Velhas. Os dois cursos d'água são responsáveis por garantir o abastecimento na Região Metropolitana de Belo Horizonte. 

A captação de água no Paraopeba foi prejudicada com o rompimento da barragem Mina Córrego do Feijão, em Brumadinho. A estrutura que entrou em colapso é de responsabilidade da Vale e, por isso, a empresa firmou acordo com a Copasa e os ministérios Público Estadual e Federal para garantir os recursos.

Conforme Termo de Compromisso homologado nesta semana, a mineradora terá que construir um novo sistema de captação de água no Paraopeba, realizar ações preventivas na captação no Rio das Velhas e contratar uma auditoria externa que irá, dentre outros pontos, analisar os projetos e acompanhar o volume de água armazenado nos reservatórios da Grande BH.

Paraopeba
 
O novo ponto de captação de água será construído a aproximadamente 12 km da atual estrutura da Copasa no Paraopeba, em Brumadinho. Pelo projeto, o sistema terá a mesma vazão, de 5 mil litros por segundo. O local ficará fora da mancha de inundação de barragens da Vale.
 
As obras, de acordo com o cronograma, terão início em outubro deste ano com previsão de término em setembro de 2020. No pico das obras, a expectativa é de geração de 300 empregos diretos. "A Vale, atendendo à política interna, privilegiará a contratação de mão de obra local", destacou a empresa.
 
Rio das Velhas
 
Embora não tenha sido impactado, o Rio das Velhas receberá investimento preventivo. Uma das ações, de acordo com a Vale, é a construção de uma barreira de contenção que circundará a captação de Bela Fama, em Nova Lima. "Esse encapsulamento será capaz de, em caso de eventualidade, proteger a estação preservando a estrutura e seus equipamentos", explicou a empresa.

A barreira terá cerca de 3 metros de altura e 300 metros de extensão, e já está em fase de construção, com previsão de conclusão em outubro.

Racionamento

A Copasa foi procurada pela reportagem, mas ainda não informou se as intervenções serão suficientes para afastar o risco de racionamento de água na Grande BH. No início de julho, a companhia informou que, se chover pouco de outubro deste ano a março de 2020, a população de BH e de outras 14 cidades poderia ficar sujeita a racionamento e rodízio.

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