Vizinhos do prédio que tombou nessa terça-feira (17) no bairro Ponte Alta, em Betim, na Região Metropolitana de Belo Horizonte, reclamam da ausência de suporte da construtora responsável pelo imóvel e da prefeitura da cidade. A  Defesa Civil de Betim informou que há possibilidade de desabamento até que o prédio seja demolido.

Segundo Ellem Camila Souza, de 31 anos, que mora em frente ao edifício, diversas famílias tiveram de aguardar mais de 12 horas na rua por uma solução para passar a noite. No entanto, na manhã desta quinta-feira (19), algumas delas retornaram para as residências.

“A Defesa Civil pediu para que nos retirássemos, mas não recebemos assistência”, contou a manicure, que tem medo de que o imóvel possa desabar com as chuvas. “Ontem teve outra chuva forte aqui no bairro, o prédio desmoronou mais, está mais deitado. A impressão que dá é que a qualquer momento ele vai desabar”, disse Ellem, que apesar do risco, voltou para casa nesta manhã.

A dona de casa Luciana do Carmo, de 42 anos, se encontra em situação mais delicada. A residência dela foi a mais afetada pelo tombamento da construção, já que divide muro com o lote do prédio. Porém, ela alega não ter recebido nenhum auxílio dos responsáveis pelo edifício.

“Estamos sem solução de nada. Ninguém deu nenhuma satisfação", reclamou.  Sem lugar para ir, ela tem ficado na casa de vizinhos, já que teve a casa evacuada na quarta-feira.

Divulgação/Ellem SouzaResidência de Luciana do Carmo foi a mais prejudicada com o tombamento

A Prefeitura de Betim informou que prestou assistência aos moradores, oferecendo alimentação e um abrigo temporário, recusado pela maioria, e que “segue atuando efetivamente no primeiro acolhimento aos atingidos”. A Guarda Municipal foi deslocada para evitar que pessoas transitem pelo local. 

O Executivo municipal afirmou, ainda, que a responsabilidade de alocar os desalojados é da construtora responsável pela obra. A reportagem tentou contato com a advogada da empresa, mas não teve resposta. 

Risco de desabamento

A  Defesa Civil de Betim informou que a possibilidade de desabamento existe até que o prédio seja demolido e afirmou que a chuva pode aumentar o risco, pois o solo fica encharcado e compromete a fundação.

Como o imóvel tombou com janelas abertas, precipitações intensas podem ocasionar o acúmulo de água no interior da construção, aumentando a carga sobre a estrutura e o solo.

Conforme a Secretaria Municipal de Ordenamento Territorial e Habitação da prefeitura da cidade, o prédio possuía alvará, licença ambiental e responsável técnico cadastrado nos órgãos responsáveis, e já recebeu autorização para demolição.

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