18 anos depois

Chacina de Unaí: 1º dia de julgamento é marcado por oitivas de testemunhas de acusação

Raíssa Oliveira
raoliveira@hojeemdia.com.br
24/05/2022 às 22:11.
Atualizado em 24/05/2022 às 22:12
 (Lucas Prates/Hoje em Dia)

(Lucas Prates/Hoje em Dia)

No primeiro dia do novo julgamento de Antério Mânica, acusado de ser um dos mandantes do caso que ficou conhecido como Chacina de Unaí, foram ouvidas testemunhas de acusação. 

O júri começou nesta terça-feira (24),  por volta das 11h30. E até o fechamento desta matéria, às 22h, auditores fiscais matinham uma vigília acompanhando as oitivas, na Sede da Justiça Federal, no bairro Santo Agostinho, na região Centro-Sul de Belo Horizonte.

Ao todo, são serão ouvidas seis testemunhas de defesa e 14 de acusação, sendo dois réus colaboradores.

Entre as de acusação, neste primeiro dia, foram ouvidos o delegado aposentado Wagner Pinto de Souza, o servidor aposentado do Ministério do Trabalho e Previdência (MTE) Afrânio Gonçalves e o policial militar Vilmar Ferreira. O chefe do MTE à época, Carlos Calazans, e o réu colaborador, Hugo Pimenta, também foram puderam dar seus relatos aos sete jurados, diante do juiz.

A audiência contou ainda com a declaração da colega de trabalho dos auditores vítimas da chacina, Rita Carneiro, ex-servidora da Delegacia Regional do Trabalho. O promotor de Justiça Leonardo Vilhena e do cidadão de Unaí, Vicente Ribeiro, também falaram na audiência. 

Os depoimentos seguem nesta quarta-feira (24), e o julgamento deve se estender até a próxima sexta-feira (27). 

Depoimentos 
O delegado aposentado Wagner Pinto de Souza, que participou das investigações por seis meses, falou por cerca de duas horas. No  depoimento, ele citou "insatisfação e inconformismo da família Mânica" com as fiscalizações feitas pelos auditores. Os servidores, na época da chacina, apuravam denúncias de trabalho escravo em fazendas da região. A família era uma das principais produtoras de feijão do Brasil. 

“O que conseguimos esclarecer é que o Norberto Mânica [irmão de Antério Mânica] teria solicitado ao José Alberto [intermediário do crime] para contratarem pistoleiros para matar o fiscal Nelson José da Silva [uma das vítimas da chacina]. No dia 28, [quatro pistoleiros] acompanharam os fiscais até uma fazenda, onde abordaram o carro dos fiscais e mataram todos”, afirmou. 

Conforme o policial aposentado, as vítimas não tiveram "chance de defesa" na emboscada. Os três auditores morreram na hora. Mesmo baleado na cabeça, o motorista Ailton Pereira de Oliveira conseguiu dirigir a caminhonete por quase 7 km. Ele chegou a ser socorrido, mas não resistiu e morreu.

Além do delegado, o policial militar Vilmar Ferreira foi ouvido e contou detalhes dos momentos iniciais logo após o crime. Ele foi quem atendeu a chamada e ajudou a socorrer o motorista, que ainda estava vivo quando a polícia chegou ao local. 

Relembre o caso 
Em 28 de janeiro de 2004, os auditores João Batista Soares Lage, Nelson José da Silva e Erastótenes de Almeida Gonçalves e o motorista Ailton Pereira de Oliveira foram assassinados com tiros à queima-roupa, após uma emboscada na região rural de Unaí. 

As primeiras prisões envolvendo o caso só ocorreram em 2013, uma década após os assassinatos. Na ocasião, três pessoas — Rogério Alan, Erinaldo Silva e William Gomes — acusadas de serem “pistoleiros”, foram condenadas a penas que, juntas, somam 226 anos de prisão.

Os intermediários do crime, segundo a acusação, eram os empresários Hugo Alves Pimenta e José Alberto de Castro. Os dois confessaram o crime e foram condenados.

O ex-prefeito de Unaí Antério Mânica e o irmão dele, Norberto, dois grandes produtores de feijão da região, foram apontados pelo Ministério Público Federal (MPF) como mandantes do crime.

A sentença deles saiu em 2015, cada um sentenciado a cumprir 100 anos de prisão. Apesar de o MPF pedir a prisão imediata dos réus, a Justiça permitiu que ambos recorressem em liberdade.

Em 2018, no entanto, uma reviravolta mudou os rumos do processo, quando o TRF-1 anulou a condenação de Antério Mânica. 

Em virtude da anulação, o ex-prefeito é submetido a novo julgamento,  nesta semana.

Na época da anulação, Norberto Mânica, que também recorre em liberdade, prestou depoimento e sustentou ser o único mandante do crime, inocentando o irmão.

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