Com maior taxa de contágio desde março, vacinas suavizam cenário da Covid em BH, diz infectologista

Bernardo Estillac
bernardo.leal@hojeemdia.com.br
27/12/2021 às 19:19.
Atualizado em 29/12/2021 às 00:37

Belo Horizonte registrou, nesta segunda-feira (27), sua maior taxa de transmissão da Covid-19 desde 29 de março deste ano. O índice RT recém-divulgado está em 1,1 e aponta que a cada 100 pessoas infectadas com o coronavírus, outras 110 podem ser contaminadas, mas os números da vacinação na capital amenizam os efeitos da doença.

Em março, o comércio de Belo Horizonte ainda funcionava sob restrições. O número de moradores vacinados era pouco maior que 250 mil e, desse total, cerca de 90 mil haviam recebido a segunda dose do imunizante contra a Covid-19.

De acordo com o infectologista Unaí Tupinambás, membro do Comitê de Enfrentamento à Covid da capital, a cobertura vacinal é o que diferencia a elevada taxa de contágio desta segunda em relação à de março de 2021. Segundo a última atualização, 86,4% da população de BH acima de 12 anos já está com o esquema vacinal completo.

"É outro cenário, a gente está com essas vacinas na expectativa de manter um quadro mais brando", afirma o especialista, que ressalta que a Prefeitura segue acompanhando os números da pandemia com atenção.

Em nota, a Prefeitura de Belo Horizonte, por meio da Secretaria Municipal de Saúde, informa que a flutuação apresentada pela taxa de transmissão nos últimos dias é calculada sobre o número de casos diagnosticados na semana. "A variação tem ocorrido devido ao baixo número de confirmações de casos de Covid-19 registrados no município", esclarece.

Índice RT
A taxa de transmissão é representada pelo índice RT, um cálculo matemático complexo que busca estabelecer uma previsão do comportamento de disseminação do vírus. O ideal é que ele esteja sempre abaixo de um.

"A expectativa, com o índice de vacinação de BH, é que os casos sejam mais brandos, não tão graves como foi em março e abril neste ano. O que a gente vai observar é qual o impacto na assistência, principalmente CTI", comenta Tupinambás.

Em 29 de março, a taxa de ocupação de leitos de enfermaria dedicados à Covid era de 85,6% e de UTI, de 100,7%. Nesta segunda (27), os números são 55,4% e 47,5%, respectivamente.

O infectologista reitera que a pandemia não acabou e que a população está sujeita a oscilações nos números relativos ao coronavírus. Segundo Unaí Tupinambás, o comitê de enfrentamento à doença se reúne semanalmente e acompanha com atenção o comportamento do coronavírus, em especial as variantes como Delta e Ômicron.

As festas de fim de ano e as férias escolares também estão no radar do médico, que fala sobre a importância de se avançar com a vacinação durante o período.

"A gente tá na expectativa de começar a vacinação das crianças de 5 a 11 anos antes das aulas voltarem e pedimos que aqueles que podem tomar a segunda dose, que tome. Quem pode tomar a dose de reforço, que tome", diz o especialista.

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